Aeroporto de Campinas terá R$ 1,5 bi e nova pista até 2030
Governo negocia repactuação da concessão de Viracopos, em Campinas, com previsão de R$ 1,5 bilhão entre 2027 e 2030 para nova pista e ampliação do terminal.

Infraestrutura
Investimento bilionário visa ampliar capacidade e modernizar o aeroporto de Viracopos até 2030.
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O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), deve receber R$ 1,5 bilhão em investimentos entre 2027 e 2030, com construção de uma nova pista e ampliação do terminal de passageiros, dentro de uma repactuação do contrato de concessão que o governo tenta fechar ainda neste ano.
O projeto está na carteira do Ministério de Portos e Aeroportos e envolve negociações com a Advocacia-Geral da União (AGU), a agência reguladora e a concessionária atual. A repactuação busca destravar obras, reorganizar a concessão e preservar o aeroporto como ativo público que, no futuro, será devolvido à União.
Em declaração dada em 8 de outubro, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, resumiu o objetivo do governo: “Se a gente consegue ultrapassar esse passivo, destravamos o investimento, deixa a concessão organizada, deixa os serviços bem estruturados e, o melhor, preserva o ativo. Em algum momento esse ativo será devolvido à União e é preciso garantir que os investimentos sejam realizados”.
Qual é a situação atual da concessão do Aeroporto de Viracopos?
A concessão de Viracopos está em processo de repactuação, com negociações em andamento entre governo federal, AGU, agência reguladora e concessionária para superar passivos e redefinir obrigações contratuais.
Segundo Tomé Franca, o principal entrave hoje são os passivos acumulados no contrato, que limitam a capacidade de investimento e exigem um acerto jurídico para que o novo ciclo de obras possa começar. A solução em estudo inclui revisão de metas, prazos e compromissos financeiros da concessionária.
O ministro deixa claro que a intenção do governo é manter o modelo de concessão, mas não necessariamente com os mesmos sócios privados: “Para manter a concessão, não necessariamente com a concessionária atual, porque a concessão é composta por investidores, que podem vender esse ativo para uma outra gestora. […] Mantendo a SPE atual, mas não necessariamente com os mesmos investidores”.
Na prática, isso significa que a sociedade de propósito específico (SPE) que administra o aeroporto pode continuar existindo, mas com eventual troca de controle entre empresas privadas, a depender do apetite de novos investidores e do desenho final do acordo.
Quais investimentos o governo planeja para o Aeroporto de Viracopos?
O plano do Ministério de Portos e Aeroportos prevê R$ 1,5 bilhão em investimentos em Viracopos entre 2027 e 2030, com foco em nova pista e ampliação do terminal, para aumentar a capacidade e melhorar os serviços no aeroporto de Campinas.
A nova pista deve ampliar a capacidade operacional de pousos e decolagens, dando mais folga para operações em horários de pico e reforçando o papel de Viracopos como hub aéreo de cargas e passageiros próximo à capital paulista. Já a ampliação do terminal mira diretamente o conforto do passageiro, com mais área de embarque, serviços e infraestrutura interna.
O pacote também inclui a atualização de obrigações contratuais e a integração de aeroportos regionais à concessão, o que pode criar uma rede mais articulada de voos no interior de São Paulo e em outras regiões conectadas por Viracopos.
Para o setor aéreo e a economia regional, a expectativa é de impacto direto em transporte, logística, turismo e comércio. Com mais capacidade e operação mais eficiente, o aeroporto tende a atrair novos voos, companhias e rotas, além de fortalecer a distribuição de cargas.
Entenda o contexto
Viracopos é hoje um dos principais aeroportos do país fora da capital, atendendo passageiros de Campinas, de todo o interior paulista e também da Grande São Paulo, que buscam alternativas aos terminais da capital. A repactuação é vista pelo governo como peça-chave para garantir a expansão desse polo sem ruptura na prestação de serviços.
O caso é tratado como complexo e sensível na Esplanada porque envolve interesses da concessionária atual, credores, possíveis novos investidores, além da União e da agência reguladora. Uma das alternativas na mesa é a realização de um leilão assistido, nos moldes do que já ocorreu com o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, caso a solução passe por troca de operador.
Tomé Franca afirma trabalhar com meta de resolver Viracopos ainda neste ano, mas admite que o cronograma depende do alinhamento entre todas as partes. “Vou fazer o possível para buscar uma solução. Meu empenho era deixar esse legado do nosso passivo aeroportuário resolvido, mas não é algo que depende só da gente. Depende dos interesses de todos os envolvidos. Agência reguladora, AGU, concessionária. Então é um espaço de negociação”, disse o ministro.
Enquanto a engenharia jurídica e financeira é discutida em Brasília, o desenho de investimentos até 2030 indica que o Aeroporto de Campinas seguirá no centro da estratégia de infraestrutura aérea de São Paulo, com potencial de crescer em movimento de passageiros, cargas e conexões com aeroportos regionais.
Como chegar ao Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas?
O Aeroporto Internacional de Viracopos fica na região sudoeste de Campinas, com acesso rodoviário principal pela Rodovia Santos Dumont (SP-075), que liga o terminal a Campinas, Sorocaba e à malha de São Paulo.
Para quem sai da capital paulista, o caminho mais usado combina as rodovias Anhanguera (SP-330) ou Bandeirantes (SP-348) até a região de Campinas, com conexão à Santos Dumont nas saídas sinalizadas para o aeroporto. O trajeto de carro costuma levar cerca de 1h a 1h30, a depender do trânsito.
Moradores de Campinas e do entorno podem acessar Viracopos diretamente pela SP-075, por vias municipais sinalizadas ou por serviços de transporte como táxis, aplicativos e ônibus executivos que ligam o aeroporto a pontos estratégicos da cidade e da Grande São Paulo. A orientação ao passageiro é checar com antecedência o melhor trajeto no horário da viagem, já que obras e fluxo de caminhões podem afetar o tempo de deslocamento.


