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Inteligência Artificial

UFG lança Lumi, IA em português com 4 bi parâmetros grátis

CEIA/UFG lança o Lumi, modelo de linguagem em português brasileiro com 4 bilhões de parâmetros, gratuito no Hugging Face e voltado às necessidades do mercado nacional de IA.

Inteligência Artificial

Modelo de linguagem em português brasileiro com 4 bilhões de parâmetros, gratuito e focado no mercado nacional.

Leia também: Empresas que usam IA só para cortar custos perdem líderes-chave

O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG) lançou na quarta-feira (28) o Lumi, um modelo de linguagem em português brasileiro com 4 bilhões de parâmetros, adaptado à realidade do país e disponibilizado gratuitamente para empresas, universidades e desenvolvedores.

Modelo de IA nacional foca no português do Brasil

Desenvolvido inteiramente no Brasil, o Lumi foi treinado para compreender melhor as nuances linguísticas, culturais e regionais do português brasileiro, algo que costuma ser um ponto frágil em modelos globais voltados principalmente ao inglês. A proposta é que organizações usem o sistema como base para criar seus próprios assistentes virtuais, chatbots, mecanismos de busca internos e soluções de automação, entre outras aplicações.

Com 4 bilhões de parâmetros, o modelo busca equilibrar desempenho e custo computacional. Esse porte intermediário permite que o Lumi rode em infraestruturas mais modestas, reduzindo a barreira de entrada para startups, pequenas e médias empresas e centros de pesquisa que não dispõem de grandes data centers.

Na prática, isso significa que parte das aplicações que hoje dependeriam de serviços estrangeiros em nuvem pode ser desenvolvida e testada em ambientes locais, com maior controle sobre dados e custos. O CEIA defende que essa combinação de eficiência e foco no português brasileiro aumenta a relevância do Lumi para o ecossistema nacional.

Entenda o contexto

O lançamento ocorre em um momento em que o Plano Brasileiro de IA prevê investimentos de R$ 23 bilhões para fortalecer o setor de inteligência artificial no país. Dentro desse cenário, um modelo aberto e adaptado ao contexto local é visto como peça estratégica para ampliar a participação brasileira no mercado global de IA.

Ao oferecer uma alternativa nacional, o Lumi tende a reduzir a dependência de tecnologias desenvolvidas no exterior, que nem sempre levam em conta particularidades de vocabulário, sotaques, jargões setoriais e referências culturais brasileiras. Isso pode beneficiar desde empresas privadas até órgãos públicos e instituições de pesquisa.

Como acessar o Lumi e o que muda para o mercado

O modelo está disponível gratuitamente na plataforma Hugging Face, o que facilita sua integração a projetos já existentes e o teste por desenvolvedores de diferentes níveis de experiência. Documentação, exemplos de uso e outros materiais técnicos relacionados ao Lumi também foram publicados no GitHub, abrindo espaço para colaboração e aperfeiçoamentos contínuos.

Para o mercado, o impacto esperado é duplo. De um lado, empresas brasileiras ganham uma ferramenta potente para criar soluções próprias, com mais autonomia tecnológica e capacidade de personalização. De outro, fornecedores estrangeiros de modelos de linguagem passam a enfrentar maior concorrência local, o que tende a pressionar por ofertas mais customizadas ao português brasileiro.

A iniciativa também pode estimular a formação de profissionais especializados em IA no país, uma vez que o acesso aberto ao modelo e aos códigos auxilia no aprendizado prático. Setores como saúde, educação, agricultura e serviços aparecem entre os candidatos naturais a adotar o Lumi em projetos de atendimento automatizado, análise de dados, recomendação de conteúdo e apoio à tomada de decisão.

Nos próximos meses, a expectativa é que o modelo receba atualizações e ajustes com base no uso real em diferentes cenários e que novas parcerias entre a UFG, empresas e outros centros de pesquisa ampliem o alcance do projeto em todo o Brasil.