Focus eleva Selic a 13% e dólar a R$5,34; PIB cai a 1,76% em 2026
Boletim Focus divulgado hoje pelo Banco Central mostra alta nas projeções de Selic, dólar e inflação até 2029 e revisão para baixo do PIB, sinalizando cenário mais duro à frente.

Economia
Banco Central projeta aumento da Selic e do dólar, enquanto revisa para baixo o crescimento do PIB em 2026.
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O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (3) mostra que o mercado financeiro passou a esperar juros mais altos, câmbio mais caro e inflação maior até 2029, com crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB). A combinação indica um cenário mais duro para a economia brasileira nos próximos anos, em meio a incertezas fiscais e políticas.
Boletim Focus hoje: o que mudou nas projeções
Para 2026, a projeção da inflação oficial medida pelo IPCA subiu de 5,19% para 5,22%, afastando-se ainda mais da meta de 3%, enquanto a estimativa para o dólar avançou de R$ 5,05 para R$ 5,34. Ao mesmo tempo, o mercado reduziu a previsão de alta do PIB de 1,80% para 1,76% e passou a ver uma Selic ainda mais apertada, de 13,50% ao ano, ante 13,25% esperados antes.
No relatório, economistas apontam que “a projeção para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu de 5,19% para 5,22%” e que “a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, avançou de 13,25% para 13,50% ao ano”. A avaliação é de que “o mercado passou a ver menos chances de cortes dos juros para este ano”, o que reforça a perspectiva de crédito mais caro e condições financeiras mais apertadas por mais tempo.
A piora não ficou restrita a 2026. As projeções para 2027 em diante também foram revisadas, indicando que o mercado enxerga um ciclo de juros altos e câmbio pressionado mais prolongado, com inflação acima do centro da meta e ritmo de atividade moderado.
Focus Selic 2026 e anos seguintes
Além da alta na estimativa da Selic para 2026, o Boletim Focus Banco Central trouxe revisões relevantes para os anos posteriores. Para 2027, a taxa básica projetada passou de 11,75% para 12,50% ao ano. Em 2028, a mediana subiu de 10,00% para 11,00% ao ano. Para 2029, a expectativa foi ajustada de 10,00% para 10,25% ao ano.
Na prática, esse movimento indica que o mercado já não conta com uma normalização rápida da política monetária. Juros elevados por mais tempo encarecem o financiamento para consumo e investimento, freiam projetos de longo prazo e tendem a esfriar setores como construção civil e bens duráveis, dependentes de crédito. Em contrapartida, aplicações atreladas à Selic e à renda fixa tendem a seguir oferecendo retornos elevados para investidores e poupadores.
Focus IPCA, dólar e PIB: cenário mais desafiador até 2029
No bloco de inflação, o IPCA projetado segue acima do centro da meta em todo o horizonte divulgado. Para 2027, a expectativa subiu para 4,76%. Em 2028, passou a 4,00%. Para 2029, chegou a 3,98%. As estimativas do Boletim Focus IPCA vêm acumulando semanas de alta em alguns prazos, reforçando a percepção de inflação mais resistente.
O câmbio também foi revisado para cima. O dólar projetado para 2027 passou a R$ 5,40. Para 2028, ficou em R$ 5,40, e para 2029, em R$ 5,45. Um real mais fraco tende a pressionar o preço de itens importados, combustíveis e insumos industriais, alimentando a inflação e reduzindo o poder de compra, principalmente das famílias de baixa renda.
Do lado da atividade, o Focus 2026 e anos seguintes aponta menor dinamismo. Para 2027, a alta do PIB estimada recuou para 1,20%. Em 2028, a projeção foi ligeiramente reduzida para 1,80%. Para 2029, a estimativa foi mantida em 2,00%. O quadro sinaliza crescimento moderado e dificuldade para acelerar a geração de empregos e a arrecadação de impostos.
Entenda o contexto
O Boletim Focus Banco Central é publicado semanalmente com base em projeções de mais de 100 instituições financeiras e consultorias. O relatório desta terça consolida expectativas em um momento de forte cautela após o resultado eleitoral recente, que provocou perdas nos ativos brasileiros e aumentou a percepção de risco sobre as contas públicas.
No pano de fundo, o mercado cobra maior clareza sobre o compromisso com o ajuste fiscal e o controle da dívida. A leitura predominante é que um cenário de incerteza política e fiscal exige juros mais altos para manter a inflação sob controle e atrair capital, o que se reflete nas projeções do Boletim Focus hoje.
As expectativas para os preços administrados – como energia elétrica, combustíveis e tarifas públicas – e para o IGP-M também vêm sendo corrigidas para cima, acumulando semanas de alta em alguns prazos, o que reforça a pressão inflacionária estrutural.
Copom decide Selic em meio a projeções piores
A divulgação do Boletim Focus Selic ocorre justamente na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária. O Copom inicia hoje a reunião que vai definir a nova taxa básica, a ser anunciada nesta quarta-feira (4). As estimativas mais altas para juros, inflação e dólar tendem a pesar na discussão, aumentando a chance de manutenção ou até de aperto adicional, a depender da avaliação do Banco Central sobre o balanço de riscos.
O Focus 2026 e os números seguintes serão monitorados de perto por investidores, governo e empresas. Mudanças no cenário político, anúncios de medidas fiscais e surpresas nos dados de inflação e atividade podem levar a novas revisões nas próximas semanas.


