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Inteligência Artificial

Google limita busca em 150 mi de escolas se IA não for ativada

Google passa a desligar por padrão ferramentas de IA em escolas. Para manter o acesso ao buscador, redes que usam Google Classroom terão de habilitar recursos como o chatbot Gemini.

Google limita busca em 150 mi de escolas se IA não for ativada

Inteligência Artificial

Escolas devem ativar ferramentas de IA para continuar usando o Google Classroom e manter acesso ao buscador.

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O Google anunciou que escolas que não habilitarem suas ferramentas de inteligência artificial, como o chatbot Gemini, perderão o acesso ao buscador da empresa, em uma mudança que afeta diretamente redes que usam o Google Classroom, com 150 milhões de estudantes e professores no mundo.

Ferramentas de IA passam a vir desligadas

O anúncio foi feito nesta terça-feira (3) e muda a forma como a tecnologia funciona em escolas de educação básica, especialmente nos Estados Unidos. A partir de agora, todos os recursos de IA — incluindo Gemini, Gemini Notebook e o próprio buscador — ficam desativados por padrão nas contas escolares.

Caberá aos administradores de cada rede de ensino decidir, uma a uma, quais ferramentas ativar. Na prática, porém, como o mecanismo de busca do Google está integrado à inteligência artificial, unidades que optarem por não usar IA também ficarão sem acesso ao buscador na infraestrutura escolar.

Em agosto, o Google havia liberado o Gemini para estudantes da educação básica que utilizam o Classroom, ativando o chatbot automaticamente para muitos alunos. Essa configuração padrão agora é revertida, mas a empresa deixa claro que, para continuar usando seus produtos com todas as funções, a IA terá de entrar na rotina das escolas.

“Acreditamos que as escolas devem ter controle sobre o uso da inteligência artificial em suas salas de aula. Por isso, estamos oferecendo aos administradores ferramentas para ajudá-los a gerenciar sua abordagem”, afirmou Chris Phillips, vice-presidente e gerente-geral de educação do Google, em texto publicado pela companhia.

Entenda o contexto

O Google Classroom se consolidou como principal plataforma de tecnologia educacional nos Estados Unidos e em diversos outros países, incluindo o Brasil. Segundo a empresa, são 150 milhões de usuários globais entre alunos e docentes, muitos deles utilizando também Chromebooks fornecidos pelas redes de ensino.

Com esse alcance, qualquer mudança estrutural nas ferramentas impacta diretamente o dia a dia de estudantes e professores. A decisão de atrelar o uso do buscador à ativação da IA intensifica um movimento de integração da inteligência artificial às atividades pedagógicas, ao mesmo tempo em que amplia a responsabilidade dos gestores escolares sobre riscos e benefícios dessa adoção.

Para tentar responder a críticas de que a IA facilita “cola” e respostas prontas a tarefas escolares, o Google diz estar atualizando suas ferramentas de busca para que fiquem “mais adequadas ao aprendizado”. Entre as mudanças, a empresa promete priorizar orientações passo a passo na resolução de problemas, em vez de simplesmente entregar a resposta final.

Críticas por pressão e risco de monopólio

A nova política provocou reação imediata de autoridades e especialistas em privacidade e desenvolvimento infantil. Lina Khan, ex-presidente da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), acusou a gigante de tecnologia de usar sua posição dominante nas buscas para forçar a adoção de IA nas escolas.

“O Google está usando seu monopólio nas buscas para coagir as escolas a adotarem inteligência artificial. Isso evidencia o perigo de permitir que uma empresa monopolista, sem regulamentação, controle um serviço essencial”, afirmou Khan em publicação nas redes sociais. Para ela, a medida responde à crescente resistência de educadores, pais e pesquisadores ao uso de IA nas salas de aula. “À medida que cresce a resistência da sociedade ao uso de IA nas escolas, o Google deixa claro que vai punir aqueles que não seguirem suas determinações”, completou.

Redes públicas de ensino de Nova York e Los Angeles, entre as maiores dos Estados Unidos, já haviam adotado proibições temporárias ao uso de ferramentas de inteligência artificial generativa em escolas de ensino fundamental. As restrições foram implementadas enquanto autoridades analisam impactos da tecnologia na segurança de dados, no desenvolvimento infantil e na integridade das atividades escolares.

Pesquisadores e educadores relatam preocupação com a dependência de respostas automáticas, que pode enfraquecer o pensamento crítico, e com a exposição de crianças a sistemas de IA ainda em evolução, treinados em larga escala com dados sensíveis.

Pressão sobre escolas e busca por alternativas

Para organizações de defesa dos direitos das crianças, a mudança anunciada pelo Google coloca as escolas diante de um dilema: aceitar a IA da empresa para manter o acesso ao buscador ou buscar soluções alternativas, menos integradas ao ecossistema dominante.

Josh Golin, diretor-executivo da Fairplay, recomendou que redes de ensino repensem a dependência das ferramentas do Google. “Recomendo que as escolas desativem os serviços do Google e busquem alternativas que protejam a privacidade de dados”, afirmou.

Na avaliação de Golin, o objetivo central da presença massiva da tecnologia do Google nas escolas não é apenas apoiar o ensino, mas “criar uma fidelidade à marca que dure a vida inteira”. Ele defende que a obrigatoriedade prática da IA nas soluções da empresa deve acelerar a busca por plataformas concorrentes e por métodos de pesquisa que incentivem investigações mais profundas, para além de digitar termos na barra de busca.

A controvérsia tende a alimentar debates regulatórios sobre o uso de inteligência artificial na educação e sobre a dependência de sistemas escolares em relação a um único fornecedor de tecnologia, em um momento em que governos e especialistas discutem regras para proteção de dados de crianças e adolescentes em ambientes digitais.