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Brasil

Sistema Guandu volta a 100%, mas 54 bairros seguem sem água

Sistema Guandu retoma operação plena após manutenção, mas instalação de macromedidor e rompimento de adutora deixam 54 bairros sem água e levam Agenersa, Sedcon e Procon-RJ a agir.

Sistema Guandu volta a 100%, mas 54 bairros seguem sem água

Abastecimento

Após manutenção, o Sistema Guandu opera plenamente, mas problemas deixam dezenas de bairros sem água na cidade.

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O Sistema Guandu voltou a operar com 100% da capacidade no fim da tarde desta quarta-feira (4) após a manutenção anual, mas 54 bairros do Rio e de Duque de Caxias seguem com o fornecimento de água interrompido por conta de intervenções da Águas do Rio, em meio a investigação da Agenersa e notificações de Sedcon e Procon-RJ à concessionária.

Manutenção termina antes do prazo, mas liberação atrasa

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) iniciou a manutenção anual do Guandu às 4h de terça-feira e concluiu o trabalho às 23h30, quatro horas e meia antes do previsto. Mesmo assim, a retomada do abastecimento demorou mais do que o planejado porque a companhia precisou aguardar o aval das concessionárias que também faziam serviços na rede.

Segundo a Cedae, “a distribuição do Sistema Guandu começou a ocorrer gradualmente às 6h24 e o religamento para toda a rede foi feito às 6h55”. A partir desse horário, a água tratada voltou a ser enviada para a capital e sete cidades da Baixada Fluminense, que somam cerca de 9 milhões de pessoas atendidas pelo sistema.

O sistema chegou a 100% da capacidade às 17h, segundo a empresa estadual. O atraso na liberação da água levou a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) a abrir um processo para apurar responsabilidades. Em nota, o órgão informou que “instaurou processo para apurar eventuais falhas nos procedimentos de retomada da operação do sistema”.

Instalação de macromedidor prolonga falta d’água

Apesar da produção normalizada no Guandu, parte da cidade continuou sem água. A Águas do Rio aproveitou a parada do sistema para instalar um macromedidor na Praça Seca, na Zona Sudoeste, o que manteve o abastecimento interrompido em 54 bairros: 51 na Zona Norte da capital, a própria Praça Seca e Vila Valqueire, além do Parque Duque, em Duque de Caxias.

O serviço só foi concluído por volta das 17h, prolongando a interrupção em áreas densamente povoadas. A concessionária afirma que o equipamento é necessário para melhorar o controle e a medição da água distribuída, o que deve trazer mais eficiência à rede no médio prazo, mas, na prática, a obra ampliou o tempo de torneiras secas para uma população estimada em mais de 1,4 milhão de pessoas — cerca de 22% dos moradores da capital.

Em comunicado, a Águas do Rio informou que “a previsão é que o fornecimento de água seja normalizado em até 72 horas. Em áreas elevadas e nas extremidades das redes de distribuição, o prazo poderá ser maior”. Bairros como Méier, Madureira, Irajá, Complexo do Alemão, Olaria, Vila da Penha, Praça Seca e Vila Valqueire estão entre os mais afetados.

Entenda o contexto

A manutenção anual do Guandu é feita sempre antes do verão, período de maior consumo de água no Rio e na Baixada. A Cedae é responsável pela captação e tratamento, enquanto a distribuição fica a cargo de concessionárias privadas em diferentes áreas da região metropolitana.

Durante a parada, essas empresas também realizam intervenções nas suas redes. Desta vez, a maior parte dos serviços foi concluída dentro do prazo, mas a necessidade de coordenação entre várias operadoras expôs fragilidades no momento de religar o sistema, o que acabou atrasando a volta do abastecimento em algumas localidades.

Rompimento de adutora em Irajá agrava cenário

O quadro foi agravado pelo rompimento de uma adutora em Irajá, na Zona Norte, que já deixava 25 bairros sem água desde segunda-feira. A Águas do Rio informou que o reparo da tubulação foi concluído nesta quarta-feira, mas muitos imóveis ainda dependem do enchimento gradual das redes e reservatórios.

Diante do episódio, a Secretaria estadual de Defesa do Consumidor (Sedcon) e o Procon-RJ notificaram a concessionária para que esclareça, em até 72 horas, as causas do rompimento e apresente medidas para evitar novas falhas. A empresa afirma que ainda não recebeu oficialmente a notificação, mas diz que vai responder aos questionamentos assim que for acionada.

Os órgãos de defesa do consumidor avaliam se houve falha na prestação do serviço e se serão necessárias punições ou recomendações específicas. A combinação de manutenção no Guandu, instalação de macromedidor e ruptura de adutora elevou a pressão sobre a concessionária e o poder público, em um momento de calor intenso na cidade.

Impacto no dia a dia e pedido de economia

A interrupção prolongada afeta diretamente residências, comércio e serviços. Condomínios passaram a racionar o uso da água em áreas comuns e a orientar moradores a evitar lavagem de roupas e limpezas pesadas. Escolas monitoram o abastecimento e podem adotar medidas emergenciais, como ajuste de horários ou atendimento parcial, se a situação se agravar.

A Águas do Rio reforçou o apelo por consumo consciente: “A orientação da Águas do Rio é que os clientes sigam fazendo uso da água armazenada em cisternas e caixas d’água apenas nas atividades essenciais, postergando tarefas que demandem alto consumo até a normalização do abastecimento”.

Especialistas ouvidos pelos órgãos reguladores destacam que, embora a manutenção preventiva fortaleça a segurança hídrica para o verão, a falta de sincronização entre os diferentes atores do sistema e os incidentes na rede de distribuição geram prejuízos imediatos para a população e para setores econômicos dependentes de fornecimento contínuo.

Com o processo aberto na Agenersa e as notificações de Sedcon e Procon-RJ em curso, as próximas semanas serão decisivas para definir eventuais penalidades e ajustes operacionais que possam reduzir o risco de novos apagões hídricos em momentos críticos.

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