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Política

Datafolha mostra empate em votos válidos entre Lula e Flávio

Datafolha aponta Flávio Bolsonaro com 47% e Lula com 46% das intenções de voto, em cenário de empate em votos válidos a três dias do segundo turno, com alta rejeição para ambos.

Datafolha mostra empate em votos válidos entre Lula e Flávio

Eleições 2024

Pesquisa Datafolha revela empate técnico entre os candidatos a três dias do segundo turno, com altos índices de rejeição.

Leia também: Itamaraty reage a Milei e defende urnas antes do 2º turno

A três dias do segundo turno, pesquisa Datafolha mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 47% e Lula (PT) com 46% das intenções de voto para a Presidência, em disputa nacionalizada e polarizada que, nos votos válidos, fica empatada em 50% a 50%.

Empate técnico e eleitor já decidido

No cenário estimulado, brancos e nulos somam 5%, e indecisos, 2%. Considerando apenas os votos válidos — cálculo usado pela Justiça Eleitoral para definir o resultado oficial — cada candidato aparece com 50%.

O levantamento ouviu 2.154 eleitores de 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 22 de outubro, em entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Segundo o instituto, 94% dos entrevistados dizem estar totalmente decididos sobre o voto, enquanto 6% admitem ainda poder mudar de escolha. Esse grupo minoritário, mas numericamente relevante, é o alvo principal das campanhas na reta final.

Rejeição alta dos dois lados

A pesquisa mostra rejeição elevada para ambos os nomes que chegaram ao segundo turno. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 46% dos eleitores consultados, ligeiramente acima de Lula, rejeitado por 45%.

Há ainda 3% que dizem rejeitar os dois candidatos e 6% que afirmam não rejeitar nenhum dos concorrentes. Esse contingente tende a pesar na decisão final entre comparecer às urnas, votar em branco ou fazer uma escolha considerada menos pior.

Quem é visto como favorito

Apesar do empate numérico em votos válidos, a percepção de favoritismo pende hoje para o candidato do PL. De acordo com o Datafolha, “para 53% dos eleitores, Flávio Bolsonaro tem mais chances de vencer, e 39% consideram Lula favorito”.

Essa sensação de que a eleição pende para um lado pode influenciar o comportamento de parte do eleitorado na reta final, atraindo quem tende a votar em quem julga que vai ganhar ou, no sentido oposto, mobilizando apoios para tentar virar o jogo.

Base social de cada candidato

O detalhamento da pesquisa reforça a divisão regional e social da disputa. Lula abre vantagem entre eleitores que moram longe do local onde votam (51% a 43%), o que indica desafio adicional de mobilização no dia da eleição.

O petista lidera ainda entre quem tem escolaridade até o fundamental (53% a 40%), renda de até dois salários mínimos (54% a 39%), católicos (55% a 39%), moradores do Nordeste (65% a 30%) e autodeclarados pretos (57% a 37%).

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem suas maiores vantagens entre evangélicos, segmento no qual registra 69% contra 26% de Lula, e na região Sul, onde aparece com 58%, contra 33% do adversário. Nos demais recortes, há empate dentro da margem de erro ou leve vantagem do senador.

Melhor opção ou voto contra o adversário

O Datafolha também mediu os motivos do voto em cada candidato. Entre os que declaram apoio a Lula, “81% dos eleitores de Lula dizem que votam nele por considerá-lo o melhor candidato, e 13% dizem que é para derrotar Flávio Bolsonaro”.

No caso do candidato do PL, o voto é um pouco mais repartido entre apoio e rejeição ao adversário: “no caso de Flávio Bolsonaro, 65% dos eleitores consideram o senador a melhor opção, e 23% votam nele para derrotar Lula”.

Os dados indicam que, embora o sentimento antiadversário pese dos dois lados, prevalece a percepção de escolha positiva, especialmente entre os eleitores de Lula.

Avaliação do governo e efeito na disputa

A pesquisa também mediu a avaliação do governo federal, dado que costuma influenciar eleições apertadas. A aprovação chegou a 49%, ligeiramente acima da desaprovação, que ficou em 48%.

Na divisão por tipo de avaliação, 39% classificam o governo como ruim ou péssimo, 36% como ótimo ou bom, e 24% o veem como regular. Em relação ao levantamento anterior, a avaliação negativa recua, e a positiva oscila para cima.

Esse quadro interessa diretamente às campanhas. A equipe de Flávio Bolsonaro tende a explorar o avanço da aprovação para defender a continuidade de políticas em áreas como economia e programas sociais. Já Lula deve mirar a desaprovação e o grupo que considera o governo regular para sustentar o discurso de mudança.

Reta final com foco nos indecisos

Com o empate em votos válidos e o eleitorado majoritariamente decidido, a reta final da campanha deve se concentrar em duas frentes: consolidar a base já conquistada e convencer os poucos que ainda admitem mudar de voto ou não definiram a escolha.

Debates, agendas de rua e movimentos de aliança nos próximos dias tendem a mirar especialmente segmentos onde cada candidato tem vantagem — como o Nordeste e o eleitorado de baixa renda para Lula, e evangélicos e Sul para Flávio Bolsonaro — na tentativa de ampliar margens e compensar desvantagens em outras regiões e grupos sociais.

Fonte: matéria original