Dólar cai a R$4,99 com aposta em vitória de Flávio Bolsonaro
Dólar fecha a R$ 4,9896 em meio à expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno. IPCA-15 sobe 0,32% em outubro e inflação em 12 meses chega a 4,62%.

Mercado
Moeda americana recua com otimismo político e dados econômicos recentes mostram alta da inflação.
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O dólar comercial fechou a sexta-feira em queda de 0,97%, cotado a R$ 4,9896, e voltou a operar abaixo de R$ 5 em um movimento ligado à expectativa de investidores de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial, marcado para domingo.
Mercado aposta em Flávio e real ganha força
Ao longo do dia, o câmbio oscilou perto da estabilidade, mas ganhou força na reta final do pregão à medida que casas de análise e mesas de operação passaram a precificar como mais provável uma mudança de governo a partir de 2027. No acumulado da semana, o dólar registra queda de 1,64% e, no ano, recuo de 9,10% frente ao real, reforçando o cenário de valorização da moeda brasileira.
No mercado futuro, usado por empresas e investidores para proteção e apostas na trajetória do câmbio, “o dólar à vista encerrou com baixa de 0,97%, a R$ 4,9896” e, “às 17h06, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 1,21% na B3, aos R$5,0010”. A combinação de menor aversão ao risco local e fluxo de capital estrangeiro ajuda a segurar a cotação abaixo do patamar simbólico de R$ 5.
A expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro é alimentada por uma bateria de pesquisas divulgadas nesta sexta, de institutos como Alfa Inteligência, Ipespe/Abrapel, Real Time Big Data, Veritá e Vox Brasil. Embora cada levantamento traga margens e recortes próprios, o conjunto é lido no mercado como um sinal de vantagem do candidato oposicionista na reta final.
Debate na TV Globo entra no radar dos investidores
O último debate entre Flávio Bolsonaro e Lula, realizado pela TV Globo na noite desta sexta, é tratado por operadores como o derradeiro evento capaz de mexer de forma relevante com o humor dos mercados antes da votação. O desempenho de cada candidato pode reforçar ou colocar em dúvida a percepção de favoritismo que hoje sustenta a queda do dólar.
Até domingo, a expectativa é de que o mercado de câmbio continue reagindo a novas pesquisas de intenção de voto e a análises sobre eventuais mudanças na política econômica em um futuro governo. Em caso de confirmação da vitória de Flávio Bolsonaro, profissionais de bancos e gestoras projetam continuidade do cenário de menor prêmio de risco e possível nova rodada de valorização do real, ao menos no curto prazo.
Entenda o impacto da queda do dólar
A cotação abaixo de R$ 5 tende a aliviar custos de empresas importadoras e companhias com dívidas ou despesas em dólar, como aéreas, varejistas e indústrias que dependem de insumos externos. A valorização do real também ajuda a conter pressões inflacionárias sobre combustíveis, produtos eletrônicos e itens importados em geral.
Por outro lado, exportadores e setores muito voltados ao mercado externo podem sentir perda de competitividade, já que um real mais forte encarece o produto brasileiro em moeda estrangeira. A balança entre estes dois movimentos — alívio inflacionário e possível aperto para exportações — será monitorada de perto por analistas, Banco Central e ministério da área econômica, qualquer que seja o próximo governo.
IPCA-15 sobe 0,32% e inflação em 12 meses acelera
Enquanto o câmbio recua, a inflação dá sinais de leve aceleração. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, avançou 0,32% em outubro. No acumulado do ano, o índice sobe 4,15%. Em 12 meses, a alta chegou a 4,62%, acima dos 4,47% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Os números mantêm a inflação em patamar considerado ainda relativamente controlado, mas reforçam a necessidade de cautela do Banco Central. A autoridade monetária acompanha a combinação de câmbio mais favorável e preços em alta moderada para calibrar seus próximos passos na taxa básica de juros, que seguirá como peça-chave para ancorar expectativas em meio à transição política.
A definição do segundo turno neste domingo tende a ser o principal vetor para os mercados na próxima semana. A reação de investidores ao resultado vai indicar se a aposta atual na queda do dólar e na redução do risco país se consolida ou será revista diante do novo desenho político em Brasília.


