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Economia

Mercado sobe e dólar cai antes do segundo turno eleitoral

Ibovespa sobe, dólar recua e juros futuros se acomodam às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, após rodada intensa de trackings e reuniões na Faria Lima.

Mercado sobe e dólar cai antes do segundo turno eleitoral

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Ibovespa avança e juros futuros estabilizam em meio à expectativa do segundo turno eleitoral.

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Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, o mercado financeiro brasileiro muda de humor e entra no fim de semana em tom mais otimista, com alta do Ibovespa, queda do dólar e leve acomodação dos juros futuros depois de uma maratona de trackings e reuniões com investidores na Faria Lima, em São Paulo.

Reuniões na Faria Lima redesenham apostas

Ao longo dos últimos dias de pregão, gestores, bancos e casas de análise intensificam encontros presenciais e virtuais com grandes investidores para discutir cenários do segundo turno e calibrar apostas. Esses trackings — pesquisas internas e sondagens junto a campanhas e consultorias — alimentam projeções sobre quem tende a vencer e qual deve ser a linha da política econômica a partir da posse.

Com novas leituras sobre o quadro eleitoral, muitos participantes aproveitam a janela antes do fechamento dos mercados para fazer um ajuste fino nas carteiras. A percepção predominante é de que os sinais recebidos são menos adversos do que se temia, o que abre espaço para recomposição seletiva de posições em ações brasileiras e maior disposição a carregar risco no curtíssimo prazo.

Entenda o impacto em Bolsa, câmbio e juros

A valorização do Ibovespa favorece diretamente acionistas e fundos com forte exposição a Bolsa, em especial papéis ligados ao mercado doméstico e a bancos, mais sensíveis ao rumo da economia e do crédito. O movimento indica queda, ainda que parcial, na incerteza política imediata e melhora da percepção de risco em relação ao Brasil.

No câmbio, a queda do dólar frente ao real sinaliza maior confiança na moeda brasileira no curto prazo. Empresas com dívida em moeda estrangeira e setores dependentes de importações — da indústria ao varejo — tendem a se beneficiar, seja pela redução do custo de financiamento, seja pelo alívio nos preços de insumos importados.

Nos juros futuros, o movimento é mais contido. As taxas recuam ou se estabilizam, refletindo algum alívio, mas ainda com forte componente de cautela. Como esses contratos servem de referência para o custo de financiamento de longo prazo, a acomodação favorece bancos, setor imobiliário e companhias intensivas em capital, embora sem sinalizar, por enquanto, uma guinada estrutural.

O que o mercado faz às vésperas do segundo turno?

Nas horas finais antes do segundo turno, o mercado costuma buscar proteção e, ao mesmo tempo, aproveitar oportunidades pontuais, e é isso que se vê agora: há redução de posições consideradas mais arriscadas, aumento de hedge em alguns ativos e realocação para papéis que podem se beneficiar do cenário eleitoral considerado mais provável pelos investidores.

Gestores também revisam projeções de inflação, juros e crescimento a partir dos sinais captados nas conversas com campanhas e equipes econômicas. Mesmo com o humor mais leve, prevalece a leitura de que a volatilidade pode voltar com força quando o resultado das urnas for conhecido.

Quais setores ganham e quem segue em compasso de espera?

Na Bolsa, bancos, consumo doméstico e empresas ligadas ao ciclo de crédito aparecem entre os principais beneficiados pela combinação de alta de ações e juros futuros mais comportados. Companhias com forte exposição ao mercado interno tendem a reagir melhor à ideia de um ambiente político menos turbulento no curtíssimo prazo.

Exportadoras, que ganham com dólar mais alto, podem ficar para trás nesse movimento específico, ainda que sigam atraentes pela receita em moeda forte. Já setores altamente dependentes de políticas públicas de longo prazo, como infraestrutura e saneamento, permanecem em compasso de espera, à espera de clareza sobre a condução fiscal e regulatória do próximo governo.

Entre os agentes de crédito, bancos e financeiras monitoram de perto a curva de juros para decidir o ritmo de concessão de novos financiamentos e as condições de contratos já em curso. Pequenas e médias empresas, mais sensíveis ao custo do crédito, podem sentir algum alívio se a acomodação dos juros se sustentar após o pleito.

Próximos passos após o resultado das urnas

A leitura predominante entre participantes da Faria Lima é que o movimento atual é tático e pode ser revisto rapidamente, a depender do placar do segundo turno e dos primeiros sinais do presidente eleito sobre política fiscal, reformas e relacionamento com o Congresso.

Passado o domingo de votação, a expectativa é de uma nova rodada intensa de reuniões e revisões de cenário, com impactos diretos sobre Bolsa, câmbio e juros. Se o quadro político se mostrar estável e com compromisso percebido com o equilíbrio das contas públicas, a tendência positiva pode ganhar fôlego. Em caso de surpresas ou sinalização de ruptura com âncoras econômicas, o otimismo das últimas sessões pode se transformar em nova onda de volatilidade.