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Mundo

Espanha FC: 3.300 migrantes chegam a El Hierro e geram crise

Ilha espanhola de El Hierro, nas Canárias, declara emergência social após receber mais de 3.300 migrantes em cerca de 30 barcos desde o início de novembro e pede ajuda a Madri.

Espanha FC: 3.300 migrantes chegam a El Hierro e geram crise

Migração

El Hierro enfrenta crise social após chegada massiva de migrantes e solicita apoio do governo central.

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A ilha espanhola de El Hierro, nas Ilhas Canárias, decretou emergência social após a chegada de mais de 3.300 migrantes irregulares em cerca de 30 embarcações desde o início de novembro, o que pressiona ao limite a infraestrutura local e levou o governo insular a pedir ajuda urgente aos governos regional e nacional.

Hospital sobrecarregado e busca por abrigos

Com quase 12 mil habitantes, El Hierro viu em poucos dias o equivalente a mais de um quarto de sua população desembarcar em barcos vindos da costa da África Ocidental. Os recém-chegados são levados principalmente ao porto de La Restinga e depois distribuídos em centros de acolhimento temporário, que já não dão conta da demanda.

O presidente do conselho insular, Alpidio Armas, disse que a ilha vive um momento crítico. “Estamos muito preocupados (…) com essa grande quantidade de chegadas”, afirmou. Segundo ele, o quadro levou o governo local a acionar imediatamente instâncias superiores. “Foi justamente isso que nos levou a decretar a emergência, criando uma estrutura de colaboração com as instâncias superiores”, disse.

Armas destacou que o ponto mais sensível é a saúde pública. De acordo com o presidente do cabildo, a situação no hospital da ilha é “indesejável”, com a equipe enfrentando um afluxo constante de pessoas exaustas, desidratadas e, em alguns casos, feridas após dias no mar em embarcações precárias.

As autoridades locais também correm para encontrar espaços onde montar abrigos temporários, ao mesmo tempo em que tentam garantir atendimento básico, alimentação e segurança para migrantes e moradores.

Reunião em Madri e coordenação com as Canárias

O ministro da Política Territorial da Espanha, Ángel Víctor Torres, convocou para a próxima terça-feira (10) uma reunião com autoridades das Canárias e representantes de El Hierro para discutir medidas específicas diante da pressão migratória no arquipélago, com foco especial na pequena ilha.

A expectativa do governo insular é que desse encontro saiam reforços em pessoal, recursos financeiros e meios logísticos, como navios e aviões para redistribuir parte dos migrantes a outras ilhas ou ao continente, além de estruturas adicionais de acolhimento.

Entre janeiro e outubro, 13.327 migrantes em situação irregular chegaram às Canárias, o que representa uma queda de 5,5% em relação ao mesmo período anterior. A redução é atribuída ao aumento da fiscalização e à cooperação com países de origem e trânsito. O pico recente em El Hierro, porém, mostra que a rota segue ativa e altamente volátil.

Entenda o contexto

As Ilhas Canárias, território espanhol no Atlântico em frente à África Ocidental, são uma das principais portas de entrada de migrantes que tentam chegar à União Europeia fugindo de pobreza, conflitos e perseguições, em cenário que envolve também países como Itália e Grécia. A travessia é longa e perigosa, feita em barcos superlotados, muitas vezes sem equipamentos de segurança.

Nesta época do ano, as condições de navegação costumam favorecer a saída de embarcações, o que tradicionalmente aumenta as chegadas ao arquipélago. Para este fim de semana, porém, as autoridades locais alertam para uma tempestade prevista a partir da noite de sábado, que pode reduzir o número de travessias, mas tornar ainda mais arriscada a viagem de quem insistir em partir.

No início da semana, dois migrantes foram encontrados mortos em uma embarcação que seguia para as Canárias. Sobreviventes relataram que outras cinco pessoas também teriam morrido durante a viagem, evidenciando a dimensão do risco assumido por quem se lança ao mar.

A pressão em El Hierro soma-se a esse cenário. Além da sobrecarga imediata em saúde, segurança e assistência social, autoridades e moradores temem que a pequena comunidade enfrente tensões sociais e econômicas caso o fluxo intenso se prolongue sem respostas estruturadas de Madri e do governo regional.

Senegal intercepta barco com 142 pessoas

Enquanto as chegadas se multiplicam nas Canárias, a cooperação internacional tenta conter parte do fluxo ainda no mar. Neste sábado, a gendarmaria do Senegal informou ter interceptado um barco com 142 migrantes que tentavam alcançar a Espanha.

Entre os ocupantes da embarcação estavam cerca de 20 mulheres, dois menores e dois bebês. A operação senegalesa é vista por autoridades europeias como peça-chave no esforço para reduzir partidas em direção ao Atlântico aberto e evitar novas tragédias.

Mesmo com ações de controle e acordos bilaterais, o caso de El Hierro mostra que a rota continua sujeita a picos repentinos, capazes de colocar em colapso serviços de ilhas pequenas. As próximas decisões do governo espanhol, após a reunião de terça-feira, serão decisivas para aliviar a pressão sobre a ilha e redesenhar a gestão do fluxo migratório no arquipélago.

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