Presidente do Paraguai renuncia e Alliana assume em crise hoje
Presidente Santiago Peña renuncia em meio a crise ligada ao Ueno Bank, e vice Pedro Alliana, que também enfrenta pedido de destituição, deve assumir a Presidência do Paraguai.

Crise Política
Renúncia de Santiago Peña ocorre durante turbulência envolvendo o Ueno Bank, enquanto vice Alliana enfrenta desafios para assumir o cargo.
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo em meio à crise política e econômica que atinge o país, abrindo caminho para que o vice-presidente, Pedro Alliana, de 52 anos, assuma a Presidência em um momento de forte pressão da oposição e tensão no sistema financeiro ligada ao Ueno Bank.
Alliana assume sob contestação e com apoio do Partido Colorado
Com a saída de Peña, anunciada na quinta-feira, 5, Alliana é o sucessor constitucional e deve ser empossado nos próximos dias, mas chega ao cargo sob contestação: parlamentares oposicionistas já apresentaram um pedido de destituição contra ele. Ao mesmo tempo, uma das alas do Partido Colorado, legenda que domina a política paraguaia, declarou apoio à permanência do vice na Presidência, o que tende a garantir, ao menos inicialmente, maioria política para sustentar seu governo.
A renúncia de Peña ocorre no auge da crise envolvendo o Ueno Bank, que elevou a desconfiança em relação ao sistema financeiro e alimentou articulações da oposição por um processo de impeachment. A troca de comando no Palácio presidencial acontece, portanto, em um cenário de instabilidade, com risco de novos sobressaltos no Congresso e na economia.
Mesmo pressionado, Alliana entra fortalecido dentro do seu campo político. Ele conta com o apoio de figuras centrais do Partido Colorado, como o ex-presidente Horacio Cartes, além do próprio Peña, que o enxergam como nome capaz de manter o projeto do partido no poder e tentar reorganizar a base governista diante da ofensiva da oposição.
Entenda o contexto
A crise que derruba Peña combina fatores econômicos e políticos. De um lado, os problemas relacionados ao Ueno Bank expõem fragilidades no sistema financeiro e afetam a confiança de investidores, num momento em que o país já enfrenta dificuldades para sustentar o crescimento e conter a inflação. De outro, a oposição intensificou as articulações por um processo de impeachment, usando a crise bancária como prova de falhas na condução do governo.
Ao optar pela renúncia, Peña tenta evitar um julgamento político desgastante no Congresso, mas não elimina o conflito: os mesmos grupos que pediam sua saída já miram Alliana, que herda a responsabilidade de administrar a crise e negociar saídas com setores econômicos e parlamentares. A sucessão, assim, não encerra a turbulência, apenas a reposiciona.
Para além da política interna, a mudança de comando é acompanhada de perto por governos vizinhos e por investidores estrangeiros, atentos ao risco de que o impasse político se prolongue e agrave o quadro econômico. A forma como Alliana conduzirá a relação com o sistema financeiro e responderá às demandas por transparência e ajustes será determinante para a recuperação da confiança.
Quem é Pedro Alliana
Pedro Alliana tem 52 anos e construiu carreira dentro do Partido Colorado. “Aos 52 anos, Alliana nasceu em Pilar, no estado de Ñeembucú. Durante a juventude, chegou a integrar a seleção paraguaia de basquete e disputou competições nacionais”, trajetória que ajudou a projetar seu nome no cenário local antes da entrada na política institucional.
Ele foi governador de Ñeembucú entre 2008 e 2012, experiência que o aproximou de lideranças regionais e consolidou sua base eleitoral. Em seguida, cumpriu mandato como deputado por dez anos, de 2013 a 2023, período em que se tornou uma das principais vozes do Partido Colorado na Câmara. Entre 2015 e 2023, liderou a bancada colorada, papel que o colocou no centro das negociações legislativas e das disputas internas da sigla.
Assim como Peña, Alliana pertence ao Partido Colorado (Associação Nacional Republicana), que há décadas ocupa posição central na política paraguaia. Dentro da legenda, ele é visto como quadro de continuidade e, ao mesmo tempo, como articulador para manter a unidade em meio a disputas de facções.
Alliana é candidato em 2028?
Pedro Alliana já se movimenta para disputar a Presidência nas eleições de 2028 e deve usar a passagem pelo comando do país como vitrine política. “Sua pré-candidatura conta com o apoio declarado de Horacio Cartes e do próprio Peña”, o que reforça a leitura de que a sucessão atual faz parte de uma estratégia de longo prazo do Partido Colorado para preservar o poder.
Se conseguir atravessar a crise, estabilizar a economia e conter as investidas da oposição no Congresso, Alliana tende a chegar à disputa de 2028 com vantagem sobre possíveis adversários. Se, ao contrário, a turbulência se aprofundar e o pedido de destituição ganhar força, o projeto de continuidade colorada pode se fragilizar, abrindo espaço para novas alianças e rearranjos na política paraguaia.
Os próximos passos passam pela formalização da posse de Alliana, pela tramitação do pedido de destituição no Congresso e pela definição das primeiras medidas do novo governo para enfrentar a crise ligada ao Ueno Bank e acalmar os mercados.


