Google amplia demissão voluntária em 5 países para focar em IA
Google estende programa de demissão voluntária a funcionários no Canadá, França, Alemanha, Japão e Suíça para cortar custos e reforçar áreas de inteligência artificial e nuvem.

Inteligência Artificial
Google expande cortes em cinco países para priorizar investimentos em IA e serviços de nuvem.
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O Google ampliou o programa de demissão voluntária para parte de seus funcionários no Canadá, França, Alemanha, Japão e Suíça, em um movimento para cortar custos e redirecionar recursos para áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial e computação em nuvem. A expansão, confirmada nesta quarta-feira (4), mantém de fora divisões prioritárias como a unidade de IA DeepMind e equipes do Google Cloud.
Os pacotes começaram a ser oferecidos em junho a grupos selecionados de empregados, que tiveram até meados de julho para decidir se aderiam. As primeiras saídas passaram a ocorrer em agosto, e o programa segue em andamento nessas regiões, sem meta pública de número de desligamentos.
Pacotes de saída e foco em IA e nuvem
O plano prevê compensações financeiras para quem optar por deixar a empresa. Na Suíça, onde o Google emprega cerca de 5.000 pessoas e mantém um dos principais centros de engenharia fora dos Estados Unidos, o pacote é descrito como generoso: “O pacote suíço ofereceu um mês de salário por ano de serviço, limitado a 12 meses”. Assim, um funcionário com cinco anos de casa recebe cinco salários, enquanto alguém com trajetória mais longa tem direito ao teto de 12.
Segundo pessoas com conhecimento do processo, os critérios e valores detalhados foram comunicados internamente aos times afetados, e podem variar entre países. Em todos os casos, porém, a adesão é voluntária e restrita a funcionários considerados elegíveis pela companhia.
A diretora financeira da Alphabet, controladora do Google, Anat Ashkenazi, vem reforçando em apresentações a investidores que “inteligência artificial e computação em nuvem” são prioridades de contratação. Na prática, isso significa enxugar áreas vistas como menos estratégicas e, ao mesmo tempo, continuar abrindo vagas nas frentes de IA e nuvem.
Entenda o contexto
A ampliação do programa ocorre em meio a uma reconfiguração global da força de trabalho da Alphabet. Embora o número total de empregados tenha crescido nos últimos trimestres, a empresa vem reduzindo equipes em operações consideradas secundárias e fortalecendo divisões de alto investimento, como Google Cloud e DeepMind.
Esse recorte aparece também na política de desligamentos. “Funcionários do Google Cloud e da DeepMind foram excluídos de ofertas anteriores de desligamento voluntário” e seguem fora da lista em novas rodadas, sinalizando que a empresa quer preservar e expandir justamente esses quadros.
Na Suíça, o programa atual se soma a um histórico recente de ajustes. Lá, pelo menos quatro empregados de uma equipe de aproximadamente 50 profissionais aceitaram a proposta de demissão voluntária, o que indica um impacto concreto em times de engenharia em Zurique, ainda que o total de adesões no país não tenha sido divulgado.
A estratégia difere de cortes em massa tradicionais porque não há um número de demissões anunciado de antemão: a empresa abre a possibilidade de saída com pacote financeiro definido e espera a resposta dos funcionários elegíveis. Internamente, a avaliação é que esse modelo reduz o desgaste público e a resistência imediata, em comparação com ondas de demissões obrigatórias.
Reestruturação e efeitos nas equipes
A expansão do programa em cinco países sinaliza uma reestruturação significativa do Google fora dos Estados Unidos. Ao incentivar a saída de quem atua em áreas menos ligadas à inovação de ponta, a companhia tende a enxugar funções de suporte, operações maduras e atividades consideradas periféricas em relação à estratégia de IA e nuvem.
No curto prazo, isso pode significar perda de profissionais experientes e de conhecimento acumulado, além de incerteza entre quem permanece em times afetados. Em contrapartida, as divisões priorizadas ganham espaço no orçamento para novas contratações e projetos, reforçando a posição da empresa na corrida global por tecnologias de inteligência artificial.
Na Suíça, o tema é particularmente sensível. Em 2023, o Google realizou mais de 200 demissões obrigatórias após ofertas voluntárias em uma de suas divisões no país, episódio que gerou protestos e paralisação de funcionários. Esse histórico ajuda a explicar por que a empresa insiste agora em um desenho explicitamente voluntário e sem meta de cortes, mesmo com a possibilidade de, no futuro, recorrer novamente a medidas mais duras se considerar necessário.
A médio prazo, a redistribuição de talentos pode impactar o mercado de tecnologia local nos cinco países envolvidos, com engenheiros e especialistas deixando o Google e reforçando outras empresas ou startups da região. Para a Alphabet, o objetivo declarado é sair desse processo com equipes menores, mais focadas e alinhadas à aposta central em inteligência artificial e serviços em nuvem.


