Médica da USP critica faculdades por falha em formação prática
Durante a cerimônia de sanção do exame para exercício da medicina, médica da USP alerta que recebe profissionais já formados sem experiência em emergência e cobra mudança na formação prática.

Educação Médica
Especialista destaca a importância de aprimorar a vivência prática dos futuros médicos para garantir atendimento de qualidade.
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Durante a cerimônia de sanção do exame para o exercício da medicina na Universidade de São Paulo (USP), neste domingo (8), uma médica da instituição criticou a formação oferecida por parte das faculdades de medicina no país e afirmou receber profissionais recém-formados sem vivência em atendimentos de emergência, o que, segundo ela, coloca em risco a segurança dos pacientes.
Médica relata recém-formados sem preparo para emergência
A profissional da USP, que atua na formação de novos médicos, descreveu a chegada de jovens diplomados aos serviços de saúde sem domínio básico de rotina em prontos-socorros. “Recebo profissionais já formados que não têm experiência em atendimentos de emergência”, afirmou, durante sua fala no evento.
Ela ressaltou que, em muitos casos, o currículo das faculdades ainda é excessivamente teórico e não garante exposição suficiente a situações reais de urgência e emergência, como atendimento a vítimas de trauma, parada cardiorrespiratória ou quadros graves em unidades de pronto-atendimento.
Segundo a médica, essa lacuna na formação prática impacta diretamente o início da carreira dos recém-formados, que chegam a hospitais públicos e privados, prontos-socorros e serviços de resgate sem se sentirem seguros para tomar decisões rápidas, o que pode atrasar diagnósticos e tratamentos em momentos críticos.
Exame é apresentado como filtro de qualidade
A fala ocorreu no contexto da sanção do exame para o exercício da medicina, apresentado pelas autoridades presentes como um novo filtro nacional de qualidade para a atuação profissional. A prova passa a funcionar como uma etapa adicional à graduação, com o objetivo de atestar competências mínimas para o atendimento seguro à população.
Na avaliação da médica da USP, o exame pode ajudar a expor deficiências estruturais da formação, especialmente nas instituições que não oferecem campos de estágio adequados ou acompanhamento próximo em atividades práticas. Para ela, o teste tende a pressionar faculdades com piores resultados a reverem métodos de ensino, carga horária de estágios e supervisão dos alunos.
Hospitais públicos, unidades de pronto-atendimento e serviços de emergência são apontados como os setores mais sensíveis a essa realidade, já que concentram grande parte dos casos críticos e costumam ser porta de entrada para médicos em início de carreira.
Entenda o contexto
O debate sobre a qualidade da formação médica ganha força na esteira da expansão de cursos de medicina no país, muitos deles criticados por não garantir estrutura adequada de hospitais-escola, estágios e professores com experiência assistencial. Especialistas da área de saúde defendem que, sem prática suficiente, o aluno conclui o curso sem consolidar habilidades essenciais, como conduzir um atendimento inicial, estabilizar um paciente grave ou trabalhar em equipe em plantões de emergência.
Com a sanção do exame para o exercício da medicina, cresce a expectativa de que conselhos profissionais, órgãos reguladores e o próprio Ministério da Educação utilizem os resultados para cobrar ajustes de faculdades com baixo desempenho e, em casos mais graves, impor restrições ou sanções.
Para os recém-formados, a nova prova representa um desafio adicional na transição da universidade para o mercado de trabalho, mas também uma forma de comprovar competência técnica. A aposta de integrantes do setor é que, a médio e longo prazo, o mecanismo contribua para elevar o padrão da assistência e reforçar a confiança da população nos profissionais de saúde.

