Bolsonaro pede ao STF visita de senadores na prisão domiciliar
Ex-presidente quer receber Rogério Marinho e Tereza Cristina em casa para discutir a disputa pela presidência do Senado, em meio à ofensiva da oposição contra Davi Alcolumbre.

Política
Bolsonaro busca apoio de senadores para fortalecer sua influência na disputa pelo comando do Senado.
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O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorização para receber em casa os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), ambos pré-candidatos à presidência do Senado. Mesmo em prisão domiciliar humanitária, Bolsonaro tenta participar diretamente da articulação que pode redefinir o comando da Casa e o equilíbrio de forças em Brasília.
Bolsonaro busca influência na disputa pelo comando do Senado
O pedido foi formalizado em 5 de novembro, um dia após o PL oficializar Rogério Marinho como candidato à presidência do Senado. Na solicitação, Bolsonaro afirma que “os encontros ocorram na casa em que cumpre sua prisão domiciliar humanitária, em datas a serem designadas, mas preferencialmente às terças, quartas ou quintas-feiras”. Cabe a Moraes decidir se as visitas políticas serão autorizadas.
A movimentação é vista por aliados como uma tentativa de o ex-presidente manter poder de fogo sobre o Congresso, apesar das restrições judiciais. Marinho, líder da oposição, é hoje o principal adversário do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tenta preservar sua base em meio à pressão da direita por uma atuação mais dura contra o Executivo e o Supremo.
Ao abrir sua casa para encontros com pré-candidatos ao comando do Senado, Bolsonaro sinaliza que quer ter voz na escolha de quem conduzirá a pauta da Casa, incluindo eventuais enfrentamentos com o Judiciário. A decisão de Moraes sobre o pedido pode estabelecer um precedente sobre o alcance de atividades políticas de investigados em prisão domiciliar.
Entenda o contexto
A disputa pela presidência do Senado ocorre em ambiente de desgaste interno. Rogério Marinho pretende capitalizar a insatisfação de senadores com a atual condução da Casa. Segundo ele, seu objetivo é explorar o desânimo de parlamentares com “o que considera uma postura de submissão da Casa ao Executivo e ao Judiciário”.
Já Tereza Cristina trabalha para consolidar apoio no Centrão e mantém a intenção de concorrer. De acordo com o próprio Marinho, os dois têm um pacto de não agressão. “Os dois têm um entendimento para evitar um confronto direto, mas ambos pretendem testar a viabilidade de suas candidaturas antes de uma definição sobre um nome único da oposição para a disputa do Senado”, afirma o senador.
Nos bastidores, dirigentes da direita e do Centrão avaliam que a eventual eleição de um presidente do Senado mais crítico ao Supremo e ao governo poderia alterar a correlação de forças entre os Três Poderes. Isso teria impacto direto sobre a agenda de votações, pedidos de impeachment de autoridades, sabatinas de ministros e o ritmo de análise de projetos de interesse do Planalto.
Decisão de Moraes pode virar referência
A área jurídica do Congresso acompanha com atenção a análise do pedido por Alexandre de Moraes. Uma autorização para que Bolsonaro receba senadores com campanhas em curso, ainda que em caráter restrito, pode servir de referência para outros casos de figuras políticas em prisão domiciliar interessadas em manter reuniões de natureza claramente política.
Aliados de Bolsonaro avaliam que a presença de Marinho e Tereza Cristina nas conversas é decisiva para calibrar a estratégia da oposição. A depender do grau de liberdade concedido pelo STF para essas articulações, Bolsonaro poderá influenciar desde a construção de um nome único contra Alcolumbre até a definição de uma linha mais ou menos confrontadora com o Judiciário.
Enquanto isso, a base de Alcolumbre tenta conter o avanço da oposição e minimizar a narrativa de que o Senado estaria “de joelhos” diante do Executivo e do Supremo. Parlamentares relatam incômodo crescente com a escalada de tensões, temendo que a disputa pelo comando da Casa agrave ainda mais o ambiente institucional.
Repercussões além do Senado
O embate pelo controle do Senado se soma a um cenário de radicalização política que também se manifesta no ambiente digital. Levantamento recente da Clavis Segurança da Informação identificou 604 anúncios e 625 perfis falsos, usados em 12 categorias diferentes de golpes, o que acende o alerta para riscos adicionais de desinformação e ataques coordenados durante o período de articulação para a escolha da nova Mesa Diretora.
A tendência, segundo interlocutores do Congresso, é de intensificação das negociações nas próximas semanas. A definição sobre as visitas a Bolsonaro e o desenho final das candidaturas de Rogério Marinho e Tereza Cristina vão ajudar a mostrar até onde o ex-presidente ainda consegue ditar rumos da política mesmo confinado em casa.

