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Gestão

Millennials começaram a enriquecer aos 25, mas custo trava avanço

Pesquisa do U.S. Bank mostra que a Geração Z começou a construir patrimônio aos 19 anos, bem antes de Millennials e Boomers, mas se sente travada por moradia, educação e transporte caros.

Millennials começaram a enriquecer aos 25, mas custo trava avanço

Geração Z

Jovens enfrentam desafios financeiros que dificultam o crescimento patrimonial apesar do início precoce da riqueza.

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A Geração Z nos Estados Unidos começou a construir patrimônio em média aos 19 anos, muito antes dos Millennials, da Geração X e dos Boomers, mas mais da metade desses jovens diz ter seguido o “manual” financeiro e ainda assim não conseguir avançar por causa de moradia, educação e transporte cada vez mais caros.

Por que a geração Z começou a construir riqueza mais cedo que os boomers?

Segundo levantamento do U.S. Bank com 5.000 adultos americanos, a Geração Z passou a investir e poupar, em média, a partir dos 19 anos. Os Millennials começaram aos 25, a Geração X aos 29 e os Boomers apenas aos 32, o que mostra uma antecipação marcada.

Esse início precoce combina dois movimentos. De um lado, há maior conscientização financeira: muitos jovens são expostos desde cedo a conteúdos sobre investimentos, aplicativos de controle de gastos e pressão para “correr atrás” da independência financeira. De outro, a própria percepção de crise permanente — salários de entrada apertados diante de aluguel, faculdade e carro caros — empurra a Geração Z a se planejar antes.

O resultado é que, enquanto Boomers e parte da Geração X conseguiam começar a poupar com mais calma, contando com imóveis, mensalidades e veículos relativamente mais acessíveis, a Geração Z sente que precisa entrar no jogo do patrimônio quase assim que chega ao mercado de trabalho para não ficar para trás.

Quais desafios financeiros a geração Z enfrenta atualmente?

Apesar da largada antecipada, 56% dos jovens da Geração Z afirmam ter feito tudo “certo” financeiramente e ainda não estarem onde esperavam, e 62% dizem ter dificuldade para progredir. O principal motivo está no custo de vida.

Na moradia, o preço médio de uma casa unifamiliar existente em 2025 equivaleu a 4,7 vezes a renda média familiar, bem acima da relação registrada algumas décadas atrás. Na prática, comprar o primeiro imóvel virou um objetivo distante: a idade média do comprador de primeira casa subiu para 40 anos, a mais alta já registrada no mercado americano.

A pesquisa mostra que tanto Geração Z quanto Millennials ainda colocam a casa própria entre as prioridades financeiras para os próximos cinco anos, mas 29% dos jovens da Geração Z e 26% dos Millennials já desistiram de comprar imóvel por razões financeiras.

Na educação, o peso também cresceu. Em universidades públicas de quatro anos, a mensalidade anual média hoje gira em torno de US$ 11.950, quase o dobro do valor cobrado trinta anos atrás em termos reais. No mesmo intervalo, a renda familiar média aumentou apenas 39% após a inflação, o que significa que o ensino superior ficou proporcionalmente muito mais caro que o salário.

O transporte completa o aperto. A maior parte dos trabalhadores americanos ainda depende do carro para ir ao trabalho, mas o preço médio de um veículo novo chegou a US$ 50.562 em setembro deste ano, perto do recorde histórico. Comprar usado tampouco é alívio: carros de segunda mão foram anunciados em média por US$ 27.239 em agosto, alta de 7% em um ano.

Quando aluguel, prestação potencial de imóvel, faculdade e carro disputam o mesmo orçamento, sobram poucos dólares para investir com regularidade, mesmo com a Geração Z começando a se organizar cedo.

Entenda o contexto

O estudo do U.S. Bank indica que a Geração Z seguiu a cartilha tradicional: entrar cedo no mercado, evitar dívidas desnecessárias e começar a poupar mais jovem que as gerações anteriores. Ainda assim, a sensação predominante é de estagnação.

O descompasso entre preços e renda ajuda a explicar. Moradia, mensalidades e veículos avançaram em ritmo bem superior ao da renda média das famílias. Marcos que antes eram vistos como degraus naturais da vida adulta — primeiro carro, diploma universitário, casa própria — passaram a parecer privilégios restritos a quem conta com ajuda familiar ou salários acima da média.

Esse quadro afeta não só o bolso dos jovens, mas também setores inteiros da economia, como o imobiliário, o educacional e o automotivo, que passam a depender mais de famílias de alta renda, crédito mais longo ou apoio financeiro dos pais para sustentar a demanda.

Mercado de trabalho revê benefícios

Com a Geração Z se declarando travada financeiramente, empregadores começam a rever o pacote de benefícios. Uma das apostas recentes é aproveitar regras que permitem vincular contribuições ao plano de previdência 401(k) ao pagamento de dívidas estudantis, de modo que o funcionário possa receber a contrapartida da empresa mesmo sem colocar dinheiro próprio no plano naquele momento.

A estratégia tenta contornar um problema central: os incentivos tradicionais assumem que o trabalhador tem sobra de salário para investir. Para boa parte da Geração Z, não é o caso.

“Uma 401(k) match é ótima na teoria, mas um jovem de 23 anos pagando US$ 2.400 de aluguel com salário inicial não consegue contribuir o suficiente para ganhar o benefício, então ele não alcança quem mais precisa”, afirma Amy Spurling, fundadora e CEO da Compt, empresa que administra programas de auxílio financeiro a funcionários.

Para ela, a baixa participação de jovens em planos de aposentadoria e outros benefícios é um sinal claro de desalinhamento. “Se seus funcionários com menos de 30 anos estão ignorando a correspondência e os benefícios, isso indica que algo não está funcionando”, diz.

Especialistas apontam que, se as empresas quiserem atrair e reter talentos da Geração Z, terão de ir além do discurso de “pense no longo prazo” e oferecer medidas que façam diferença imediata no orçamento, como ajuda com aluguel, flexibilização de jornada para reduzir gastos com transporte ou subsídios mais diretos a cursos e certificações.

Impacto nas próximas gerações

O aperto vivido pela Geração Z tende a influenciar também a forma como as gerações seguintes vão olhar para dinheiro e carreira. A pergunta que ganha peso nas entrevistas de emprego — “esse trabalho vai realmente me fazer avançar?” — tende a ficar ainda mais presente.

Se políticas de habitação, educação e apoio ao jovem trabalhador não forem ajustadas, economistas veem risco de uma geração inteira permanecer presa em altos custos fixos, consumindo menos, investindo pouco e atrasando marcos como a formação de família e a compra da primeira casa. Isso pode reverberar por anos no consumo, na mobilidade social e na relação entre gerações no mercado de trabalho.

Fonte: matéria original