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Economia

Caixa Seguridade ri com R$ 210 mi extra em 2026 após multa rara

Caixa Seguridade prevê efeito positivo de R$ 210 milhões no lucro de 2026 com multa paga pelo Banco Pan após rescisão de contrato com a Too Seguros, em meio a histórico de pressão em IPO e disputas sobre o futuro da Caixa pública.

Caixa Seguridade ri com R$ 210 mi extra em 2026 após multa rara

Economia

Multa paga pelo Banco Pan deve gerar lucro extra para Caixa Seguridade em 2026, em meio a disputas e pressão no mercado.

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A Caixa Seguridade informou que terá um ganho de aproximadamente R$ 210 milhões no lucro líquido de 2026, após a controlada Too Seguros receber multa de cerca de R$ 750 milhões pela rescisão de contrato de distribuição com o Banco Pan na B3. O reforço no resultado vem em um momento em que a empresa ainda convive com o desgaste gerado por denúncias de assédio e pressão sobre empregados durante o IPO e por disputas em torno da estratégia de venda de participações da Caixa Econômica Federal.

Too Seguros perde exclusividade, mas reforça caixa do grupo

O efeito de R$ 210 milhões será reconhecido na Caixa Seguridade por equivalência patrimonial, já que a Too Seguros é controlada pelo grupo em parceria com o BTG. A multa, de cerca de R$ 750 milhões, decorre do rompimento antecipado do acordo que garantia à seguradora o acesso ao canal de bancassurance do Banco Pan.

Em comunicado, a Caixa Seguridade explicou que, com o fim do contrato, a Too Seguros deixa de ter exclusividade na venda de seguros pelo Pan, mas seguirá atendendo a base já formada. “A partir da rescisão do contrato de distribuição, a Too Seguros perderá a exclusividade para comercialização de seguros junto ao bancassurance do Banco Pan, e as partes continuarão desempenhando suas funções, visando ao atendimento dos clientes cujas apólices estejam vigentes”, informou a companhia.

Na prática, o caixa turbinado alivia o resultado da Caixa Seguridade hoje e melhora as perspectivas para quem acompanha Caixa Seguridade RI e Caixa Seguridade CXSE3 na Bolsa, mas também sinaliza perda de um canal relevante de expansão de prêmios futuros para a Too Seguros, em um mercado de seguros bancários altamente concentrado em grandes bancos.

Entenda o contexto

A abertura de capital da Caixa Seguridade, em abril de 2021, foi uma das peças centrais de um plano de monetização de subsidiárias da Caixa Econômica Federal. À época, sob comando de Pedro Guimarães na presidência do banco, a estratégia incluía levar ao mercado áreas como cartões, gestão de recursos, loterias e o braço digital Caixa Tem.

O IPO da Caixa Seguridade Bolsa, porém, veio acompanhado de denúncias de assédio moral e de pressão sobre empregados para empurrar ações a clientes e até para comprar papéis com recursos próprios. Segundo relatos recebidos pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e pela Apcef/SP, houve cobrança de metas individuais de até R$ 1 milhão por gerente na colocação dos papéis.

As entidades sindicais levaram o caso à Comissão de Valores Mobiliários e pressionaram a direção do banco. Em reuniões com representantes dos trabalhadores, dirigentes da Caixa admitiram que “as metas deveriam ser estabelecidas para as unidades, e não para os empregados, individualmente”, e se comprometeram a acompanhar os casos denunciados e a não descomissionar gerentes que não batessem as metas pessoais de venda de ações.

Greve nacional e decisão do TST

A insatisfação com o processo de abertura de capital e com o plano de venda de participações levou empregados da Caixa em todo o país a deflagrar uma greve nacional de 24 horas em 27 de abril de 2021, dois dias antes da estreia das ações da Caixa Seguridade na Bolsa. O movimento defendia a manutenção da Caixa como banco público forte e questionava a transferência de negócios rentáveis para o mercado privado.

Após a paralisação, a direção da Caixa registrou o dia de greve como falta não justificada e abriu caminho para descontos salariais e impactos na carreira. O banco tentou ainda, na Justiça, declarar a greve abusiva, alegando motivação política e descasamento com a data-base da categoria.

O caso chegou ao Tribunal Superior do Trabalho. O ministro relator, Maurício Coutinho Delgado, considerou legítimo o movimento. Em decisão, afirmou que “o movimento era legítimo, e incluía uma extensa pauta de reivindicação dos empregados defendida pelas entidades sindicais”. Mais tarde, uma ação movida pelo Sindicato reverteu os descontos, com devolução dos dias cortados aos grevistas.

Estratégia de monetização segue com nova presidência

Com a saída de Pedro Guimarães em meio a denúncias de outra natureza, a economista Daniella Marques assumiu a presidência da Caixa em julho de 2022. Vinda da equipe econômica do governo, ela manteve a diretriz de monetização de subsidiárias, defendendo a venda de participações em empresas do grupo, como a própria Caixa Seguridade e a Caixa Asset, mesmo após o adiamento da oferta desta última.

Quatro anos depois do IPO, o debate sobre o futuro da Caixa pública se mistura à corrida eleitoral. Coordenadora da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Daniella voltou a falar do papel do banco no país. Em declarações recentes, ela “negou que o candidato pretendesse privatizar a Caixa” e garantiu que “o banco continuará tendo papel na execução de políticas públicas”. Ao mesmo tempo, defendeu uma revisão do conjunto de estatais para identificar quais, em sua avaliação, não deveriam seguir existindo.

As propostas econômicas ligadas à campanha defendem redução de gastos públicos e retomada de programas de desestatização. Ainda que a venda integral da Caixa tenha sido descartada, o futuro de braços como Caixa Seguridade Residencial, Caixa Seguridade CXSE3 e demais subsidiárias permanece no centro da disputa entre defensores da presença do Estado no sistema financeiro e grupos que pressionam por mais espaço ao capital privado.

Para sindicatos como o dos Bancários de São Paulo e a Apcef/SP, o reconhecimento da legitimidade da greve pelo TST e a reversão dos descontos reforçam que a mobilização em defesa da Caixa pública tem respaldo jurídico. As entidades prometem seguir acompanhando operações de venda, contratos como o da Too Seguros com o Banco Pan e eventuais novos movimentos de monetização sob a atual gestão da Caixa.