Itaú compra NeoSpace por R$ 2,92 bi para dominar IA no financeiro
Itaú fecha acordo para comprar a brasileira NeoSpace por R$ 2,92 bilhões, mantém startup autônoma e reforça aposta em inteligência artificial generativa no setor financeiro.

Inteligência Artificial
Itaú investe na aquisição da NeoSpace para fortalecer sua liderança em IA generativa no mercado financeiro brasileiro.
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O Itaú Unibanco anunciou a aquisição da startup brasileira de inteligência artificial NeoSpace por R$ 2,92 bilhões, em um movimento para acelerar o desenvolvimento de modelos proprietários de IA generativa aplicados a crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção de fraudes. O acordo, divulgado em fato relevante nesta segunda-feira (26), ainda depende de aprovação do Banco Central e do Cade.
NeoSpace segue autônoma, com foco em pesquisa e modelos proprietários
Especializada em grandes modelos de dados voltados ao setor financeiro, a NeoSpace já trabalhava com o Itaú há dois anos. Nesse período, as empresas “desenvolveram soluções próprias de inteligência artificial generativa em escala, com aplicações de crédito, gestão financeira, relacionamento com o cliente e prevenção de fraudes”, afirmou o banco em comunicado.
Segundo a instituição, a experiência conjunta mostrou “o potencial de modelos especializados para compreender contextos financeiros complexos e desenvolver soluções”, o que motivou a incorporação definitiva da startup ao ecossistema do grupo. A NeoSpace continuará operando de forma autônoma, com manutenção da equipe e da agenda de pesquisa e desenvolvimento. “A NeoSpace seguirá com gestão e operação autônomas e Bruno Pierobon permanecerá como CEO”, destacou o Itaú.
A operação é considerada estratégica para fortalecer a plataforma ia.i, lançada em julho, que oferece inteligência artificial generativa e conversacional aos clientes. Com a compra, o banco quer tornar as interações mais contextualizadas, criar ofertas de crédito ainda mais alinhadas ao perfil de risco de cada pessoa e oferecer novas ferramentas de apoio ao planejamento financeiro.
Entenda o contexto
A aposta em IA generativa ocorre em um momento de forte expansão dos investimentos tecnológicos no sistema financeiro brasileiro. De acordo com a 34ª Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, realizada pela Deloitte em parceria com a Federação Brasileira de Bancos, “nos últimos cinco anos, o orçamento destinado a tecnologia no setor bancário cresceu 58%. Em 2026, a expectativa é que o investimento totalize R$ 50,4 bilhões, um crescimento de 8% na comparação com o ano passado”.
Dentro desse montante, cibersegurança, computação em nuvem e inteligência artificial generativa aparecem entre as principais prioridades dos bancos. O relatório aponta ainda previsão de R$ 29,4 milhões para disseminação de conhecimentos em IA e IA generativa, alta de 31% em relação ao período anterior, o que inclui capacitação de equipes e projetos pilotos.
Investimentos em Simile e corrida com Bradesco por IA
A compra da NeoSpace se soma a outros movimentos recentes do Itaú no campo da inteligência artificial. Em setembro, o Itaú Ventures, vertical de corporate venture capital do banco, participou de uma rodada de investimento na Simile, empresa de tecnologia sediada nos Estados Unidos que desenvolve modelos para simulações com audiências sintéticas — grupos de consumidores virtuais gerados por IA que imitam comportamentos e reações de pessoas reais. Na ocasião, o banco informou que “o Itaú foi o primeiro cliente da Simile na América Latina”.
A disputa por protagonismo em IA no setor financeiro também envolve concorrentes diretos. O Bradesco Venture Capital liderou neste ano uma rodada de R$ 15 milhões na Luria, startup de agentes de IA voltados à análise de dados corporativos, com participação da Vibra Ventures. O aporte, feito em abril, tem como objetivo acelerar a expansão da plataforma, já utilizada por Bradesco e Vibra.
Esse conjunto de aportes, tanto de Itaú quanto de outros grandes bancos, reforça a percepção de que a próxima etapa da transformação digital do sistema financeiro brasileiro será guiada por modelos avançados de IA, capazes de ler grandes volumes de dados, identificar padrões de risco e consumo e, na prática, redesenhar produtos bancários.
Impacto para clientes e desafios para o setor financeiro
Na prática, a incorporação da NeoSpace tende a tornar mais sofisticados os serviços oferecidos pelo Itaú em áreas como análise de crédito, recomendações de investimentos, organização de finanças pessoais e monitoramento de fraudes em tempo real. Com modelos proprietários, o banco busca reduzir dependência de soluções genéricas de mercado e adaptar os sistemas à regulação e às particularidades dos dados financeiros brasileiros.
Para o consumidor, a expectativa é de produtos mais personalizados e atendimento digital mais inteligente, capaz de entender contexto, histórico e objetivos financeiros. Para o setor como um todo, o negócio pressiona instituições menores e menos digitalizadas, que podem enfrentar dificuldades para acompanhar o ritmo tecnológico imposto pelos grandes bancos.
Ao mesmo tempo, o avanço rápido da IA no sistema financeiro aumenta a complexidade da governança tecnológica e abre novas frentes de discussão regulatória e ética, como transparência nos algoritmos de crédito, tratamento de dados sensíveis e prevenção a vieses nos modelos. Essas questões estarão no radar do Banco Central, do Cade e dos órgãos de autorregulação enquanto analisam a operação e o desenvolvimento das novas soluções de IA nos próximos meses.
