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Brasil

Kassio Nunes reage a carta de Flávio e reafirma eleição

Presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, divulga nota em que chama de normal e legítima a eleição presidencial de 2026, após carta de Flávio Bolsonaro contestar o resultado sem provas.

Kassio Nunes reage a carta de Flávio e reafirma eleição

Eleições 2026

Presidente do TSE destaca legitimidade do pleito após questionamentos sem evidências sobre o resultado.

Leia também: Flávio Bolsonaro pede anulação da eleição e rejeita derrota

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, divulgou nesta quarta-feira (28) uma nota oficial em que reafirma a normalidade e a legitimidade das eleições presidenciais de 2026 e reage à carta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que contesta o resultado, se apresenta como “líder do Brasil” e chama a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “golpe de Estado”, sem apresentar provas.

Kassio fala em eleição segura e “mais inclusiva”

No texto, Kassio Nunes Marques afirma que o eleitorado brasileiro “foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes” no domingo (25), quando Lula foi confirmado vencedor com 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio Bolsonaro.

O ministro descreve o pleito como o mais abrangente já realizado no país. “No último domingo, foram realizadas as eleições mais inclusivas da história da República brasileira”, diz a nota. Ele reconhece que houve “instabilidade na reta final de votação”, mas atribui a segurança da apuração às ações técnicas do tribunal. “Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e à competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança”, afirma.

Kassio destaca ainda o papel da estrutura da Justiça Eleitoral e dos profissionais envolvidos. “Com empenho de servidores públicos de todo o país, dos mesários, das forças de segurança e dos demais atores envolvidos, as Eleições 2026 transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”, escreve.

O presidente do TSE também promete responder, dentro das regras, a eventuais ações da campanha derrotada. “Informo que todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos”, afirma. “Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes”, completa.

Entenda o contexto

A manifestação do TSE ocorre três dias após o segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25), e um dia depois de Flávio Bolsonaro divulgar uma carta nas redes sociais. Em versão inicial do texto, o senador chegou a se declarar o “verdadeiro presidente eleito” do país. Depois, recuou e trocou a expressão por “líder do Brasil”, mantendo, porém, a narrativa de que teria sido vítima de um suposto complô.

Na carta, o candidato derrotado afirma, sem apresentar evidências, que a vitória de Lula representaria um “golpe de Estado” e coloca em dúvida a integridade do sistema eleitoral. As acusações reacenderam a tensão política no pós-eleição e levaram a uma reação coordenada de instituições que participaram da organização do pleito.

Ao falar em “absoluta normalidade” e em respeito à Constituição, Kassio busca blindar a atuação da Justiça Eleitoral e isolar as alegações de fraude. A nota funciona, na prática, como um recado de que o tribunal considera encerrada a disputa nas urnas e que qualquer contestação terá de seguir os ritos jurídicos, com provas e dentro dos prazos legais.

PF tenta impedir saída de Flávio, e Kassio valida pedido

Paralelamente à ofensiva política, o caso ganhou contornos policiais. Flávio Bolsonaro, sua mulher e duas filhas adolescentes deixaram o Brasil alegando se sentir ameaçados por possíveis decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por inquéritos que miram aliados da família Bolsonaro.

Sete minutos depois de o TSE declarar o resultado oficial da eleição presidencial, às 21h09 de domingo (25), a Polícia Federal protocolou um pedido de apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro, com o objetivo de impedir sua saída do país. O despacho foi apresentado ainda na noite da divulgação do resultado que confirmou a reeleição de Lula.

Cabe a Kassio Nunes Marques a decisão sobre o pedido, por ser também o presidente da corte eleitoral. O ministro validou a solicitação da PF para apreender os documentos do senador e impor a proibição de deixar o território nacional, numa tentativa de assegurar a presença do candidato derrotado em eventuais investigações e procedimentos judiciais relacionados ao processo eleitoral.

A atuação combinada da Justiça Eleitoral, da Polícia Federal e de ministros do Supremo sinaliza uma estratégia de contenção de danos diante do aumento da retórica golpista e de tentativas de desacreditar o sistema de votação. Ao reforçar a legalidade do pleito e acionar mecanismos para garantir o cumprimento da lei, as instituições tentam reduzir o espaço para a disseminação de desinformação e preservar a estabilidade democrática no pós-eleição.

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