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Brasil

PF investiga fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA em jato privado

Senador deixou o Brasil rumo aos EUA em jato articulado por Jason Miller, com entrada liberada por Donald Trump via parole. PF apura saída sem registro e possível descumprimento de ordem do STF.

PF investiga fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA em jato privado

Política

Senador Flávio Bolsonaro viajou aos EUA em jato privado sem registro, sob investigação da PF por possível descumprimento de ordem do STF.

Leia também: Wassef visita Flávio após PF tomar passaportes do senador

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos em um jato particular articulado pelo assessor da Casa Branca Jason Miller, logo após a confirmação da derrota na eleição presidencial, e entrou em território americano com autorização temporária concedida pelo presidente Donald Trump via mecanismo de parole. A Polícia Federal apura a saída sem registro oficial e o possível descumprimento de decisões judiciais que determinavam a apreensão do passaporte do senador e a proibição de que ele deixasse o país.

Fuga após derrota e ordem para apreender passaporte

A viagem de Flávio, senador pelo PL-RJ, ocorreu na noite de 25 de outubro, logo depois de o Tribunal Superior Eleitoral anunciar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 votos (48,21%) do candidato derrotado. Minutos após a proclamação do resultado, a Polícia Federal expediu pedido para apreender o passaporte do senador e impedir sua saída do território nacional, medida autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Apesar da ordem judicial, Flávio Bolsonaro, sua esposa e as duas filhas adolescentes embarcaram em um jato privado providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca. A PF afirma não ter qualquer registro oficial de saída do parlamentar do país, o que reforça a suspeita de violação direta das determinações do STF.

Entrada nos EUA com parole concedido por Trump

Já em solo norte-americano, a permanência temporária de Flávio e de sua família foi autorizada pelo presidente Donald Trump por meio do instituto do parole, instrumento usado em situações humanitárias urgentes ou de benefício público significativo. Segundo uma autoridade dos Estados Unidos, “Flávio poderá solicitar residência permanente (green card) posteriormente”.

Ao usar o parole para receber um político brasileiro que é alvo de medidas restritivas da Justiça do próprio país, o governo Trump cria um fato diplomático sensível. A medida pode ser interpretada em Brasília como interferência em questões internas e tende a alimentar tensões entre os dois governos.

Entenda o contexto

A decisão de deixar o Brasil foi justificada por aliados de Flávio como resposta ao temor de novas decisões do ministro Alexandre de Moraes, que já havia autorizado ações de busca e medidas cautelares em inquéritos envolvendo o entorno do senador e de seus apoiadores. O clima de confronto entre o grupo bolsonarista e o STF se intensificou durante a campanha e aumentou após o resultado apertado do segundo turno.

Ao mesmo tempo, a celeridade da PF em pedir a apreensão do passaporte — o ofício foi expedido 7 minutos após a proclamação do resultado da eleição — indica que investigadores trabalhavam com o risco concreto de evasão. A falta de registro migratório da viagem, contudo, expõe fragilidades na fiscalização de fronteiras e no cumprimento de decisões judiciais.

Carta, narrativa de perseguição e agradecimentos

Em comunicado divulgado três dias depois da fuga, Flávio Bolsonaro afirmou ser alvo de perseguição política e agradeceu publicamente a Donald Trump e ao presidente argentino Javier Milei. No texto original, o senador se autodenominou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, expressão que, diante da repercussão, foi substituída por “líder do Brasil”.

A carta reforça a estratégia de Flávio de se apresentar como vítima de um suposto complô institucional, discurso que já vinha sendo usado durante a campanha e que agora serve para tentar justificar a saída do país em meio a medidas judiciais. O agradecimento a líderes estrangeiros alinhados ideologicamente ao bolsonarismo mostra a tentativa de construir uma rede de apoio internacional.

Impacto jurídico e institucional

Para investigadores e integrantes do Judiciário, a fuga de um senador sob ordem de apreensão de passaporte e com proibição de saída do país representa um desafio direto à autoridade do STF e da Polícia Federal. A situação expõe brechas no controle migratório e na execução de decisões judiciais, além de abrir espaço para questionamentos sobre eventuais omissões de agentes públicos que deveriam ter impedido a viagem.

Do ponto de vista político, o episódio aprofunda a crise entre o campo bolsonarista e o atual governo, alimenta teorias de perseguição entre apoiadores do ex-candidato e aumenta a pressão sobre o STF, especialmente sobre Alexandre de Moraes, que volta ao centro de uma disputa de alta temperatura institucional.

Tensão diplomática e próximos passos

No plano internacional, a concessão do parole a Flávio Bolsonaro por Trump pode forçar o governo brasileiro a buscar explicações formais sobre os critérios usados para admitir um parlamentar sob restrição judicial. A situação tende a ser tratada nos canais diplomáticos e em acordos de cooperação jurídica, com potencial para desgastar a relação bilateral.

A Polícia Federal intensifica agora a investigação sobre as circunstâncias da saída irregular, apurando quem facilitou o embarque, como o jato deixou o país sem registro migratório e se houve participação de servidores. No STF, Alexandre de Moraes pode ser provocado a adotar novas medidas para responsabilizar o senador, inclusive com pedidos de cooperação internacional.

Nos Estados Unidos, aliados de Flávio admitem que ele deve avaliar o pedido de residência permanente, o que complicaria ainda mais seu quadro jurídico no Brasil e colocaria à prova os instrumentos de cooperação entre os dois países em casos de evasão de investigados e condenados.

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