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Política

PF mira Willer Tomaz por lavagem na mansão de R$ 10 mi bloqueada

PF e STF investigam o advogado Willer Tomaz por lavagem de dinheiro e apostas; repasses à empresa de Virginia Fonseca e disputa por mansão de R$ 10 milhões em Angra dos Reis elevam pressão política e ambiental.

PF mira Willer Tomaz por lavagem na mansão de R$ 10 mi bloqueada

Política

Investigação envolve lavagem de dinheiro, repasses financeiros e disputa por imóvel de alto valor em Angra dos Reis.

Leia também: STF pode reduzir pena de Bolsonaro para 2 anos e antecipar saída

O advogado Willer Tomaz, sócio da AMP Pay Marketing e Negócios, é alvo de uma investigação por lavagem de dinheiro e evasão de divisas que envolve repasses milionários à influenciadora Virginia Fonseca, movimentações bilionárias em apostas esportivas e a disputa judicial por uma mansão de R$ 10 milhões na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, hoje bloqueada por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quem é Willer Tomaz e qual sua relação com Virgínia Fonseca?

Willer Tomaz é advogado, proprietário do escritório Willer Tomaz Advogados Associados e apontado pela Polícia Federal como controlador da AMP Pay Marketing e Negócios, empresa que repassou R$ 17,7 milhões à Talismã Digital, de Virginia Fonseca.

Os pagamentos foram feitos em cinco transferências via Pix entre março e setembro de 2024. Bancos classificaram as operações como suspeitas e as comunicaram ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que levou os dados aos inquéritos que tramitam no STF.

Documentos da investigação mostram que, em 2024, Willer informou por e-mail ao Magnum Bank que era sócio ou acionista da AMP Pay, à qual a PF atribui seu controle. A corporação suspeita que ele tenha ligação com a plataforma de apostas Blaze, para a qual Virginia fez campanhas publicitárias no mesmo período dos repasses.

Relatórios do Banco Santander e uma nota técnica do Ministério da Fazenda apontam que Willer foi o maior apostador do país em plataformas de apostas esportivas em 2025, com mais de R$ 5 bilhões movimentados em uma única casa de apostas. Para investigadores, esses dados reforçam a hipótese de uso do mercado de bets para lavar dinheiro e enviar recursos ao exterior.

No inquérito, os trechos centrais que sustentam as suspeitas resumem a situação: “Willer, proprietário do escritório Willer Tomaz Advogados Associados, é investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas” e “a empresa AMP Pay Marketing e Negócios, associada ao advogado Willer Tomaz, repassou R$ 17,7 milhões à Talismã Digital, companhia da influenciadora Virginia Fonseca, em cinco transferências via Pix”.

Virginia não é alvo direto do bloqueio da mansão em Angra, mas aparece nos relatórios financeiros que embasam a atuação da Polícia Federal e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets no Senado, responsável por escrutinar o mercado de apostas esportivas e a eventual participação de influenciadores em esquemas ilegais.

Por que a mansão em Angra dos Reis está sendo disputada entre Willer Tomaz e Richarlison?

A mansão em disputa fica na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, tem cachoeira particular e é avaliada em R$ 10 milhões. O imóvel é reivindicado ao mesmo tempo por Willer Tomaz, por meio da empresa WT Administração, e pelo atacante Richarlison.

Richarlison afirma que comprou o imóvel em 2020 por R$ 10 milhões de antigos ocupantes da ilha, que viviam ali havia décadas. Após o negócio, protocolou em setembro de 2021 pedido de regularização de ocupação na Secretaria do Patrimônio da União (SPU), por meio de sua empresa Sport 70. A regularização, porém, não foi concluída.

Foi nesse intervalo que o advogado entrou na disputa. Willer sustenta que os antigos moradores não eram os verdadeiros proprietários e que adquiriu a mansão de uma empresa que já possuía o registro da propriedade. Com base nisso, obteve autorização para transferência da posse para a WT Administração em julho de 2022.

Além do conflito jurídico entre as versões, representantes de espólios dos antigos proprietários também reivindicam direitos sobre a área, o que adiciona mais um nó à cadeia dominial da ilha, que pertence à União.

Richarlison diz ter investido cerca de R$ 10 milhões na propriedade e acusa Willer e o senador Flávio Bolsonaro de conspirarem para tirar seus direitos depois que ele se recusou a vender o imóvel ao parlamentar. Em sua versão, “Richarlison afirma que comprou o imóvel em 2020 por R$ 10 milhões de antigos ocupantes” e “Richarlison acusa o advogado e o senador Flávio Bolsonaro de agirem para retirar seus direitos”.

Quais irregularidades a União apontou no processo da mansão?

A SPU identificou irregularidades na transferência da mansão para a WT Administração, ligada a Willer Tomaz, e acionou a Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ibama para investigar o caso, incluindo possíveis crimes ambientais na Ilha Comprida.

Documentos internos mostram que a autorização de transferência em 2022 ocorreu com rapidez considerada atípica. A empresa vendedora pediu a Certidão de Autorização para Transferência (CAT) às 11h33 e, alega por suposta falha no sistema, solicitou a emissão manual do documento. A certidão foi liberada às 13h13, 1 hora e 40 minutos depois.

Além da velocidade inusual, a SPU questiona o fato de o ato ter sido respaldado em uma decisão judicial que não está anexada integralmente ao processo administrativo. A atual gestão da secretaria concluiu que “a SPU identificou irregularidades na transferência de uma mansão em Angra dos Reis para a empresa de Willer Tomaz” e encaminhou o caso à CGU e à PF para aprofundamento.

Paralelamente, o Ibama foi chamado a apurar denúncias de supressão irregular de vegetação e outras intervenções em área ambientalmente sensível na ilha, que é patrimônio da União e exige licenciamento rigoroso para qualquer obra ou ocupação.

O que motivou o bloqueio da mansão em Angra dos Reis por Alexandre de Moraes?

O ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio da mansão na Ilha Comprida em 26 de outubro de 2026, no âmbito do inquérito que investiga Willer Tomaz por lavagem de dinheiro ligada a apostas esportivas e evasão de divisas.

A decisão incluiu o imóvel na Central de Indisponibilidade de Bens (CNIB) e se estendeu ao patrimônio da WT Administração. Segundo o despacho, “o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, impôs um bloqueio à mansão em Angra dos Reis” e “a decisão torna os bens da WT Administração de Imóveis e Bens, que pertence a Willer Tomaz, indisponíveis”.

No mesmo ato, Moraes autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado e ordenou o cancelamento de seu passaporte. As medidas cautelares têm como objetivo impedir a dissipação de bens que possam ser fruto de atividades ilícitas e assegurar eventual ressarcimento ao erário ou cumprimento de futuras sanções penais.

As investigações citadas na decisão destacam as operações de mais de R$ 5 bilhões feitas por Willer em uma única plataforma de apostas em 2025, as transferências de R$ 17,7 milhões da AMP Pay para a Talismã Digital e a suspeita de que imóveis de luxo em ilhas de Angra — entre eles a mansão disputada — possam ter sido usados como meio de ocultar a origem de recursos.

Entenda o contexto

O caso da Ilha Comprida corre em paralelo a uma ofensiva mais ampla contra irregularidades em apostas esportivas e uso de ativos imobiliários em ilhas e áreas costeiras da União como instrumentos de lavagem de dinheiro.

Relatórios da SPU apontam que Willer Tomaz adquiriu outras cinco casas em ilhas de Angra dos Reis, concentradas entre 2021 e 2022, período que coincide com a disputa pela mansão com Richarlison. Essa concentração de compras em área de alto valor e sensível do ponto de vista ambiental despertou a atenção de órgãos de controle.

Na frente política, a CPI das Bets no Senado deve intensificar a análise de relatórios do Coaf, de bancos e do Ministério da Fazenda sobre movimentações atípicas de casas de apostas, influenciadores digitais e operadores financeiros. O nome de Willer aparece como peça central nesse tabuleiro, com possíveis ramificações para o entorno político de Brasília, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, acusado por Richarlison de tentar, com o advogado, assumir a mansão sem pagar o valor investido pelo jogador.

Willer Tomaz informou que não vai se manifestar. Flávio Bolsonaro não respondeu aos pedidos de comentário. As investigações seguem em curso na Polícia Federal, na CGU, na SPU, no Ibama e no STF, sem prazo definido para conclusão.