Lula vê vitória como global e critica fuga de Flávio aos EUA
Reeleito com 51,79% dos votos, Lula ligou sua vitória às derrotas de Trump e Netanyahu e chamou de “pé frio” Flávio Bolsonaro, que fugiu para os EUA após desobedecer ordem do STF.

Política
Lula relaciona sua vitória às derrotas internacionais e critica Flávio Bolsonaro por fugir aos EUA após ordem do STF.
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Reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos no segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva disse que sua vitória “foi uma vitória para o mundo” e vinculou o resultado no Brasil às derrotas recentes de Donald Trump nos Estados Unidos e de Benjamin Netanyahu em Israel. Ao mesmo tempo, o petista criticou duramente Flávio Bolsonaro, que fugiu para os EUA após perder a eleição e desobedecer uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula fala em “lição ao mundo” e derrota de líderes conservadores
Em discurso após a confirmação do resultado, Lula afirmou que a reeleição no Brasil se soma a um movimento internacional contra lideranças conservadoras. “Foi uma vitória não para o Brasil, foi uma vitória para o mundo. Mas coisa importante é que na mesma semana que eu ganhei, o Netanyahu perdeu em Israel e me parece que o meu amigo Trump está perdendo nos Estados Unidos. Então foi uma vitória, uma vitória extraordinária do povo brasileiro, foi uma lição ao mundo”, disse o presidente.
O petista derrotou no segundo turno o senador Flávio Bolsonaro, do PL, em uma disputa marcada pela polarização e pela tentativa da campanha bolsonarista de aproximar sua imagem à de Donald Trump. Lula saiu das urnas com 51,79% dos votos válidos, consolidando um novo mandato e reforçando a leitura de um avanço de forças progressistas em meio a um cenário global de desgaste de líderes de direita radical.
Nos Estados Unidos, o Partido Democrata conquistou a maioria no Senado e também na Câmara dos Representantes nas eleições de meio de mandato. Os democratas viraram 7 cadeiras que estavam sob controle republicano em estados como Texas, Kansas, Ohio, Iowa, Maine, Carolina do Norte e Carolina do Sul, redesenhando o equilíbrio de forças em Washington e impondo uma derrota a Trump.
Em Israel, a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu perdeu a maioria no Parlamento. O bloco governista conseguiu 53 das 120 cadeiras do Knesset, enquanto a frente de oposição liderada por Gadi Eisenkot obteve 48. Como são necessárias ao menos 61 cadeiras para formar governo, as duas coalizões travam agora uma corrida por alianças, sem um caminho evidente para que Netanyahu mantenha o comando do país.
Entenda o contexto
Lula tem insistido em ligar sua reeleição a uma mudança de ventos políticos no mundo, interpretando a derrota de Trump e o enfraquecimento de Netanyahu como parte de um mesmo ciclo. Na visão do governo, isso abre espaço para um Brasil mais ativo em temas internacionais e alinhado a agendas progressistas, em contraste com o período em que o país esteve próximo de líderes como o ex-presidente americano.
A leitura no Planalto é que o novo mandato reforça a estabilidade política interna e amplia a margem para avançar em pautas econômicas, sociais e ambientais, ao mesmo tempo em que isola, no plano internacional, projetos de direita radical. Esse quadro também serve de pano de fundo para o embate com o bolsonarismo, que, além da derrota nas urnas, enfrenta agora uma crise de legitimidade com a fuga de Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro foge para os EUA e desafia ordem de Moraes
Derrotado por Lula no segundo turno, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos mesmo após ser proibido de sair do país por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que havia determinado a entrega de seus passaportes. O senador passou pela Argentina e desembarcou em Miami, descumprindo a ordem judicial.
Da Flórida, Flávio divulgou cartas em redes sociais nas quais afirma não reconhecer o resultado das urnas, fala em suposta fraude eleitoral e se autoproclama “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”. Em seguida, publicou nova mensagem, alterando a própria definição para “líder do Brasil” e “líder”. As alegações não vieram acompanhadas de provas e contrariam o reconhecimento oficial do resultado pela Justiça Eleitoral.
A fuga do senador abriu um novo flanco de tensão institucional. A expectativa no meio jurídico é que a desobediência à decisão do STF fortaleça pedidos de medidas mais duras, como a solicitação de extradição às autoridades americanas, além de acelerar investigações e processos já em curso contra ele.
Lula chama senador de “pé frio” e prevê volta para responder à Justiça
Lula aproveitou o episódio para ironizar o adversário e associá-lo à derrota de Trump. “Enquanto eu pegava a bandeira do Brasil, aquele gesto de pegar a bandeira nacional e levantar o povo entra numa emoção, enquanto eu fazia isso, o meu adversário pegava a bandeira americana e ficava beijando. E foi correr agora, pé frio. Derrotou o Trump, chegou nos EUA e o Trump perdeu. Foi lá para pegar proteção, você vai ver a proteção que você vai ter, você vai ter que voltar para o Brasil para receber os processos que você tem”, afirmou o presidente.
Aliados de Lula avaliam que a imagem de um senador em fuga, atacando o sistema eleitoral do lado de fora do país, agrava o desgaste do bolsonarismo e dificulta a reorganização da oposição. Para o governo, o episódio ajuda a contrapor o discurso de estabilidade institucional e respeito às regras democráticas que o Planalto tenta projetar ao de um campo derrotado que flerta com a desobediência judicial.
No STF, a expectativa é de que Alexandre de Moraes e outros ministros reforcem a mensagem de que decisões da Corte não podem ser ignoradas, sob risco de responsabilização criminal. O caso de Flávio tende a se tornar mais um ponto de atrito entre o núcleo bolsonarista e o sistema de Justiça, em um ambiente que segue polarizado mesmo após o encerramento da disputa eleitoral.

