Mercados
S&P 5007.569▲ 0,36%Nasdaq25.372▲ 0,83%Dow Jones51.787▼ 0,38%Ibovespa165.529▼ 1,42%FTSE 10010.741▲ 0,96%DAX26.202▲ 1,30%Nikkei62.189▼ 1,42%DólarR$ 5,49▼ 0,01%EuroR$ 6,17▲ 0,37%BitcoinR$ 430.595▲ 1,19%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.569▲ 0,36%Nasdaq25.372▲ 0,83%Dow Jones51.787▼ 0,38%Ibovespa165.529▼ 1,42%FTSE 10010.741▲ 0,96%DAX26.202▲ 1,30%Nikkei62.189▼ 1,42%DólarR$ 5,49▼ 0,01%EuroR$ 6,17▲ 0,37%BitcoinR$ 430.595▲ 1,19%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Política

Edinho, com aval de Lula, mira expulsão de ala do PT

Presidente do PT quer afastar integrantes do chamado 'centrão petista' acusados de omissão na campanha e infidelidade a Lula; Quaquá é primeiro alvo e reage.

Edinho, com aval de Lula, mira expulsão de ala do PT

Política

Liderança do PT busca afastar membros do 'centrão petista' por deslealdade e falta de comprometimento na campanha presidencial.

Leia também: Tsunami de Lisboa em PE e imposto em SP que durou 130 anos

O presidente do PT, Edinho Silva, defende com o aval de Luiz Inácio Lula da Silva a expulsão de dirigentes acusados de se omitirem na campanha presidencial e de integrar o chamado “centrão petista”, num movimento que mira diretamente o prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, e pode redesenhar o comando interno do partido.

Edinho fala em “divórcio litigioso” e mira nova maioria

A ofensiva foi apresentada em reunião da Executiva Nacional do PT na quinta-feira (29), quando Edinho propôs que dirigentes que cruzaram os braços na eleição deixem voluntariamente a sigla. No discurso de encerramento, elevou o tom e falou em “divórcio litigioso” — ou seja, expulsão — abrindo caminho para um processo formal contra opositores internos.

Segundo relatos de participantes, Edinho relatou ter se reunido com Lula em um café pouco antes do encontro e dito que o presidente da República quer uma “nova maioria” no PT, alinhada ao programa de governo. Ele repetiu uma avaliação atribuída a Lula ao afirmar que “o partido não deve ser instrumento de projeção e enriquecimento pessoais, mas um projeto coletivo”.

Na prática, a Executiva interpretou que o presidente do PT recebeu carta branca de Lula para enquadrar a ala batizada de “centrão do PT” — grupo de parlamentares e dirigentes visto internamente como adaptado às práticas tradicionais do Congresso, em especial o uso ampliado de emendas parlamentares no Orçamento, cujo peso Lula promete reduzir.

Quaquá é primeiro alvo e acumula pedidos de expulsão

Dentro desse tabuleiro, Washington Quaquá, prefeito de Maricá, é apontado como primeiro alvo. Presidente estadual do PT no Rio e vice-presidente nacional da sigla, ele já responde a pedidos de expulsão na comissão de ética por posicionamentos polêmicos, como a defesa do conselheiro Domingos Brazão, apontado em investigações como mandante do assassinato de Marielle Franco, e o apoio público a uma operação policial que deixou 120 mortos no estado.

As representações, até agora, não andaram. A leitura de um setor da cúpula é que a nova orientação de Lula e Edinho pode destravar esses processos e servir de base para uma limpeza mais ampla, que inclua outros nomes associados ao “centrão petista”.

Além do histórico recente, pesa contra Quaquá a avaliação de que faltou empenho na campanha de Lula no Rio de Janeiro, inclusive em Maricá, onde o presidente foi derrotado nos dois turnos. Petistas próximos a Edinho afirmam que houve omissão de dirigentes locais em um momento considerado decisivo para a virada nacional.

Ausência na Executiva e disputa na CNB acirram crise

Quaquá não participou da reunião da Executiva Nacional em que Edinho subiu o tom. Ele boicotou o encontro, argumentando em grupos internos que aquele não era o fórum adequado para avaliar a campanha presidencial, e tentou articular uma dissidência contra o presidente do partido.

A crise atinge o coração da CNB (Construindo um Novo Brasil), corrente majoritária do PT e base histórica de Lula. Tanto Edinho quanto Quaquá pertencem à mesma tendência, que vinha mantendo um acordo de convivência: após entendimento costurado por Lula, Quaquá apoiou Edinho na disputa pela presidência do partido. A escalada atual ameaça esse pacto e pode reabrir rachas antigos dentro da CNB.

Integrantes da Executiva avaliam que, se a expulsão de Quaquá avançar, outras lideranças ligadas ao “centrão petista” podem entrar na fila, o que redesenharia o mapa de forças do PT nos estados e na direção nacional.

Quaquá reage e diz ser “PT raiz”

Do lado fluminense, a reação veio com ataques diretos a Edinho. Quaquá afirma que foi um dos principais fiadores da campanha de Lula no Rio e que o estado só não teve atuação maior de seu grupo porque o filho, Diego Zeidan, integrante da coordenação, precisou se afastar por quatro dias por orientação médica após um pico de pressão, deslocando-se para a Bahia.

Ele acusa Edinho de tentar criminalizar divergências internas e de usar a presidência do partido para perseguir adversários. “Eu tenho tanto ou mais tempo de PT que ele. Com a diferença de que sou de favela. Se alguém tem que sair do PT e ir para PSOL é ele. Eu sou PT raiz”, afirmou Quaquá, chamando o presidente do partido de mentiroso, incompetente e “fofoqueiro”.

Aliados de Quaquá dizem ver na investida de Edinho uma tentativa de consolidar poder na Executiva e isolar quadros que defendem maior autonomia das direções estaduais em relação ao núcleo nacional ligado ao Planalto.

Entenda o contexto

A ofensiva contra o “centrão petista” ocorre no rastro da eleição presidencial vencida por Lula, cuja reta final foi marcada por forte mobilização de movimentos sociais e jovens militantes. Nos bastidores, o presidente tem repetido que o PT precisa responder “ao recado das ruas” e se reconectar com as bases populares que garantiram a vitória.

Segundo relatos de dirigentes, Lula tem alertado que, se o PT não se renovar e não se alinhar às propostas apresentadas na campanha, parte dessa juventude pode abandonar a legenda e até fundar um novo partido. Essa preocupação embasa a defesa de uma “nova maioria” no diretório nacional, com depuração de quadros vistos como distantes desse espírito.

Entre as bandeiras que Lula quer ver refletidas na prática partidária está a redução do peso das emendas parlamentares no desenho do Orçamento, mecanismo que ampliou o poder de barganha de grupos no Congresso e aproximou setores do PT de práticas associadas ao centrão tradicional.

Campanha, panfletos e ameaça de corte de recursos

A cobrança por fidelidade não se limita à cúpula. Ainda durante a campanha, em setembro, Edinho determinou que materiais de candidatos a deputado incluíssem o nome de Lula e dos postulantes a governos estaduais e ao Senado apoiados pelo PT. Ele ameaçou exigir a devolução de verbas do fundo eleitoral em caso de descumprimento.

A orientação veio após circular em grupos internos uma série de panfletos de petistas sem referência ao presidente ou aos candidatos majoritários, o que alimentou acusações de infidelidade e oportunismo. De acordo com relatos, Lula guarda exemplares desses materiais e espera que os responsáveis sejam enquadrados no processo de “divórcio” defendido por Edinho.

Dirigentes avaliam que a nova linha pode ter efeitos diretos sobre campanhas futuras: candidatos tendem a ficar mais dependentes da chancela da direção nacional, sob pena de sanções financeiras e até disciplinares, caso tentem se descolar da imagem de Lula em disputas locais.

Risco de racha e próximos passos no PT

O endurecimento contra o “centrão petista” é visto por setores internos como um divisor de águas. De um lado, aproxima o partido do discurso de renovação e de compromisso com a base popular; de outro, tende a acirrar confrontos regionais e a fragilizar lideranças influentes em estados estratégicos, como Rio de Janeiro e Bahia.

A Executiva Nacional deve seguir discutindo a abertura de processos disciplinares e eventuais mudanças na composição da direção. Integrantes da corrente CNB admitem reservadamente o risco de um racha caso a expulsão de Quaquá e de outros nomes avance sem negociação política.

No Congresso, a mudança de correlação de forças interna pode influenciar a postura da bancada em temas centrais do governo, como o controle de emendas parlamentares e a condução do Orçamento, reduzindo o espaço de manobra de deputados e senadores que hoje orbitam o chamado “centrão do PT”.