Flávio Bolsonaro foge para os EUA após ordem do STF descumprida
Senador é acusado de descumprir ordem de Alexandre de Moraes para entregar passaportes enquanto é investigado por lavagem de dinheiro e financiamento do filme 'Dark Horse'.

Política
Senador enfrenta investigação por lavagem de dinheiro e ignora determinação judicial para entrega de passaportes.
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O senador Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos após cruzar a fronteira por Puerto Iguazú, na Argentina, em meio a uma investigação da Polícia Federal por lavagem de dinheiro com empresas de apostas e financiamento do filme “Dark Horse”. A saída ocorre dias depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir o parlamentar de viajar ao exterior e determinar a entrega dos passaportes, medida que não foi cumprida.
Ordem de Moraes e descumprimento do prazo
Na noite de domingo (25), Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal e ficasse impedido de deixar o país. O senador, porém, não obedeceu. “O senador, no entanto, descumpriu a ordem e não entregou o passaporte à PF no prazo determinado, até as 11h desta terça-feira (27)”.
A decisão faz parte do inquérito que investiga Flávio e o advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema que envolveria empresas ligadas a apostas esportivas e movimentações financeiras consideradas atípicas. Os dois confirmam que são amigos, mas negam sociedade e qualquer irregularidade. “Os dois confirmam que são amigos, mas negam que sejam sócios e qualquer irregularidade.”
Além disso, Flávio responde a um inquérito específico sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, e é alvo de apurações sobre a origem dos recursos investidos na produção audiovisual.
Rota por Puerto Iguazú e voo em jato executivo
Reportagens internacionais apontam que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil nesta semana pela fronteira com a Argentina. Um jornal argentino noticiou que o senador teria cruzado para Puerto Iguazú usando apenas o documento de identidade, evitando assim o uso do passaporte que deveria ter sido entregue à PF.
De acordo com a publicação argentina, “De Puerto Iguazú, viajaria aos Estados Unidos a bordo de um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A”. Registros públicos de monitoramento de voos indicam que a aeronave deixou Buenos Aires em direção a Puerto Iguazú e pousou na cidade às 23h45, no horário de Brasília.
Até o momento, porém, não há confirmação de que Flávio tenha embarcado no Gulfstream G400 ou mesmo de que tenha trocado de aeronave para seguir viagem. As informações sobre o deslocamento do senador são atribuídas a fontes anônimas ouvidas por veículos estrangeiros, e ainda não foram oficializadas por autoridades brasileiras ou argentinas.
Sem registro migratório e dúvidas sobre a saída
Os controles de imigração da Argentina afirmam não ter registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país, o que alimenta a hipótese de que a eventual travessia tenha ocorrido por algum ponto sem controle formal ou com uso de facilidades irregulares. Do lado brasileiro, a Polícia Federal também relata não ter registro de saída do senador por postos regulares de controle migratório.
A ausência de registros oficiais levanta dúvidas sobre a rota exata, o meio de transporte utilizado e possíveis falhas na fiscalização de fronteiras. A PF continua apurando como se deu a suposta evasão e se houve participação ou omissão de agentes públicos no percurso até a fronteira e na eventual decolagem rumo aos Estados Unidos.
Entenda o contexto
Flávio Bolsonaro é investigado em ao menos duas frentes na PF: a suspeita de lavagem de dinheiro com empresas ligadas a apostas, em conexão com o advogado Willer Tomaz, e o suposto financiamento irregular do filme “Dark Horse”. Em ambos os casos, a principal linha de apuração é a origem dos recursos e a possível utilização de negócios de fachada para ocultar dinheiro.
A decisão de Alexandre de Moraes de reter os passaportes foi uma forma de impedir que o senador deixasse o país e dificultasse as investigações. A notícia de que Flávio teria viajado aos Estados Unidos apesar da proibição é vista por integrantes da Justiça e da segurança pública como um teste aos limites da autoridade do STF e da capacidade operacional da PF.
A repercussão internacional, com cobertura de veículos estrangeiros destacando a suspeita de fuga de um senador brasileiro em plena investigação criminal, adiciona pressão sobre as instituições. A expectativa, agora, é de que o STF e a PF endureçam as medidas, com possibilidade de pedidos de cooperação internacional, bloqueio de bens e até decretação de prisão preventiva, caso se confirme que Flávio burlou deliberadamente o controle migratório para deixar o país.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz mantêm a estratégia de negação, afirmam ser alvos de perseguição e sustentam que todas as operações financeiras investigadas são legais. As próximas decisões do STF e os próximos passos da Polícia Federal vão definir se o episódio se consolidará como um caso emblemático de desafio à Justiça ou se resultará no retorno do senador ao Brasil para responder aos inquéritos em curso.


