Termos de IA disparam em 260 mil empresas e mudam rotina laboral
Levantamento da SurveyMonkey com mais de 260 mil organizações mostra salto no uso de termos como 'agentic', 'Claude' e 'prompting' e revela foco das empresas em treino de IA e prontidão da força de trabalho.

Inovação Tecnológica
Pesquisa revela crescimento expressivo no uso de termos ligados à inteligência artificial em milhares de empresas.
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Levantamento global da SurveyMonkey com milhões de pesquisas feitas por mais de 260 mil organizações mostra uma virada no ambiente corporativo: termos como “agentic”, “Claude” e “prompting” disparam em questionários internos, enquanto empresas deslocam o foco de clima organizacional para treinamento em inteligência artificial e prontidão da força de trabalho.
Termos de IA entram de vez na rotina corporativa
Segundo a diretora de comunicação da SurveyMonkey, Katie Miserany, o boom do vocabulário ligado à IA indica que a tecnologia deixou de ser discussão abstrata e passou a orientar decisões práticas sobre trabalho e carreira. “O uso do termo ‘agentic’ reflete a maturação do setor e a incorporação dessas ferramentas no trabalho diário”, afirma.
Os dados analisam pesquisas aplicadas entre agosto de 2025 e agosto de 2026 e revelam que cerca de 30% dos trabalhadores já usam IA todos os dias. “Cerca de 30% dos trabalhadores usam IA diariamente e muitos dizem que isso torna seus empregos mais seguros”, diz Miserany. A percepção contrasta com o medo inicial de substituição total por máquinas e ajuda a explicar por que a tecnologia aparece agora como “colega de trabalho” em vez de ameaça distante.
Na esteira dessa mudança, a expressão “agentic” — associada a sistemas de IA capazes de agir de forma mais autônoma em tarefas de negócio — passou a figurar em títulos e perguntas de pesquisas internas. Para a executiva, esse vocabulário mais técnico mostra que a discussão saiu do “o que é IA” e foi para “como usar IA para fazer meu trabalho”.
Treinamento dispara, engajamento recua
O avanço da linguagem de IA vem acompanhado de uma reorientação clara das áreas de recursos humanos. “Pesquisas sobre treinamento de habilidades cresceram 151% e acesso a ferramentas de IA subiu 78%”, detalha Miserany. As empresas querem saber se os funcionários têm as competências necessárias para atuar nesse futuro descrito como “agentic” — e que tipo de formação precisam oferecer.
Ao mesmo tempo, levantamentos tradicionais de engajamento e clima perderam espaço: o número de pesquisas de engajamento caiu 14% no período analisado. Na prática, RHs que até pouco tempo priorizavam ações de cultura e satisfação declarada passam a perguntar primeiro se o time tem ferramentas, recursos e treinamento para trabalhar lado a lado com sistemas de IA.
Essa troca de prioridade ajuda a explicar outra mudança captada pela SurveyMonkey: menos perguntas sobre “como você se sente em relação à IA” e mais questionários sobre ferramentas específicas, fluxos de trabalho automatizados e modelos de uso seguro da tecnologia.
Claude ganha espaço e “prompting” vira habilidade medida
Entre as ferramentas citadas nos formulários, um nome se destaca. “A menção ao Claude subiu 736%, e prompting cresceu 116%, mostrando a evolução do uso de IA”, afirma Miserany. O salto revela, de um lado, a popularização do assistente Claude em grandes empresas; de outro, que “saber pedir” passou a ser visto como competência profissional.
Segundo a executiva, líderes empresariais passaram a incluir perguntas diretas sobre o domínio dessas práticas. Companhias querem medir se seus times sabem estruturar comandos complexos, revisar respostas automaticamente geradas e combinar múltiplos agentes de IA no mesmo fluxo de trabalho. A habilidade, antes restrita a entusiastas de tecnologia, entra na lista de conhecimentos esperados de profissionais de áreas como marketing, finanças e recursos humanos.
Entenda o contexto
A popularização da IA generativa no último ciclo levou muitos profissionais a ouvir o alerta de que não perderiam o emprego para a tecnologia, mas para quem se recusasse a usá-la. Os números da SurveyMonkey sugerem que boa parte da força de trabalho levou a mensagem a sério: hoje, cerca de 30% já a utilizam todos os dias, e empresas estruturam programas específicos para acompanhar esse uso.
Nesse cenário, setores que dependem fortemente de tecnologia e inovação — como TI, serviços financeiros, comunicação e gestão de pessoas — aparecem entre os mais impactados. Em vez de apenas medir percepção sobre o tema, organizações passaram a testar, por meio de pesquisas, a aptidão dos funcionários para tarefas automatizadas, a disposição para adotar novos fluxos e o interesse em treinamentos profundos em IA.
Requalificação em alta e pressão sobre trabalhadores
O movimento corporativo já se reflete em decisões individuais de carreira. “32% dos trabalhadores reconsideraram as habilidades que estão desenvolvendo por causa da IA, chegando a 45% entre estudantes”, diz Katie Miserany. Os dados mostram que a demanda por requalificação não atinge só quem está no mercado: quase metade de quem ainda se prepara para entrar nele já revê seus planos de estudo.
De um lado, empresas que investem pesado em capacitação e ampliam o acesso a ferramentas de IA tendem a ganhar vantagem competitiva, ao montar equipes mais produtivas e adaptáveis. De outro, trabalhadores que não acompanham o ritmo podem enfrentar dificuldades crescentes, especialmente em funções rotineiras ou com forte componente de informação, as primeiras a serem reorganizadas por sistemas “agentic”.
O desafio, agora, é transformar essa corrida por competências em um processo inclusivo. A mesma tendência que aponta para a IA como parceira de trabalho também expõe riscos de exclusão digital e aprofundamento de desigualdades dentro das empresas, caso políticas internas não garantam treinamento amplo, suporte na transição e avaliação justa da aptidão de cada profissional para esse novo ambiente automatizado.


