Mercados
S&P 5007.744▲ 0,28%Nasdaq26.550▲ 0,27%Dow Jones52.475– 0,00%Ibovespa171.006▼ 2,68%FTSE 10010.769▲ 0,69%DAX25.981▲ 1,08%Nikkei64.659▲ 1,10%DólarR$ 5,35▲ 0,03%EuroR$ 5,96▼ 0,10%BitcoinR$ 428.451▼ 1,41%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.744▲ 0,28%Nasdaq26.550▲ 0,27%Dow Jones52.475– 0,00%Ibovespa171.006▼ 2,68%FTSE 10010.769▲ 0,69%DAX25.981▲ 1,08%Nikkei64.659▲ 1,10%DólarR$ 5,35▲ 0,03%EuroR$ 5,96▼ 0,10%BitcoinR$ 428.451▼ 1,41%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Economia

Ibovespa cai 2,68% e acumula perda de 16,6% pós-reeleição Lula

Bolsa amplia derretimento após reeleição de Lula, com revisão para cima das projeções de inflação, temor de fim dos cortes de juros e incerteza política envolvendo Flávio Bolsonaro e possíveis sanções.

Ibovespa cai 2,68% e acumula perda de 16,6% pós-reeleição Lula

Mercado Financeiro

Mercado reage negativamente à reeleição de Lula, com inflação e política gerando incertezas para investidores.

Leia também: INSS barra extra de 25% para beneficiário BPC e esclarece boato

O Ibovespa caiu 2,68% no pregão desta quinta-feira (29), aprofundando um tombo que já soma 16,6% desde a reeleição de Lula e escancarando uma reprecificação agressiva do risco brasileiro, com perdas que chegam a 60% em ações individuais e pressão crescente sobre bancos, varejo, construção e energia.

Queda generalizada e empresas desabando

A baixa do índice hoje mascara um estrago bem maior em papéis específicos. Casas Bahia desabou 20%, Cosan recuou 12%, Cyrela caiu 11% e Cogna perdeu 10%. Setores considerados mais defensivos também entraram na mira: o índice financeiro IFNC tombou 4,76%, enquanto o índice de energia elétrica IEE caiu 3%, com AXIA Energia recuando 5,2%.

No acumulado desde a reeleição, a destruição de valor é ainda mais severa. A Vamos, do grupo Simpar, já perdeu 60% de seu valor de mercado. Magazine Luiza encolheu 59%, Cosan 55%, Hapvida 52%, C&A e Cyrela 50%, MRV&Co 48%, e Localiza e Assaí 43%. Entre os índices setoriais, o imobiliário IMOB lidera as baixas desde domingo, com queda de 33,6%, seguido pelo índice de small caps (-30%), pelo índice de consumo ICON (-28,5%) e pelo próprio IFNC, que cede 26,3%. O IEE acumula baixa de 19%.

Apenas entre a sexta-feira passada e a terça-feira desta semana, sem contar a queda de hoje, o Ibovespa já havia perdido R$ 662 bilhões em valor de mercado, segundo dados consolidados da B3.

Inflação mais alta, juros em xeque

Além da reação à reeleição de Lula, um novo gatilho de aversão ao risco veio da revisão para cima das projeções de inflação feita pelo BTG. O banco elevou o IPCA esperado para 2027 de 4,8% para 5,9% e o de 2026 de 5,3% para 5,4%, movimento que reforça o temor de que o Banco Central possa interromper o ciclo de cortes da Selic já na próxima reunião.

Para empresas muito endividadas, que vinham se apoiando na perspectiva de juros menores, o recado foi particularmente duro. “Enquanto não houver sinais melhores de um ajuste (fiscal), a tendência é que as condições financeiras, ações e DI continuem piorando”, disse um analista do buyside. Na avaliação dele, a trajetória de gastos públicos já era considerada frágil antes da eleição e agora enfrenta mais pressão com promessas de campanha e preços represados de combustíveis.

Gestores relatam que a combinação de inflação mais alta à frente, incerteza fiscal e dúvida sobre a continuidade dos cortes de juros levou muitos investidores institucionais e fundos multimercados a desmontar rapidamente posições em Bolsa e em juros futuros.

Entenda o contexto

O mercado vinha precificando de forma majoritária uma vitória de Flávio Bolsonaro e uma continuidade do ambiente econômico anterior. A vitória de Lula pegou em cheio essa aposta concentrada. “A violência da reação dos mercado sugere que havia pouca proteção para o caso de uma surpresa eleitoral”, avaliou Giuliano Ajeje, ex-analista do UBS-BB.

Ele resume a frustração de parte da indústria: “O mercado apostou numa vitória de Flávio Bolsonaro. Lula venceu. Quem pagou caro por uma probabilidade de 70% descobriu que 30% também acontece.”

Um gestor de investimentos que operou vendido no Ibovespa antes da votação afirma que a bolsa ficou mais barata, mas ainda não oferece sinal claro de fim do ajuste. “Eu acredito que a queda do Ibovespa esconde um movimento mais profundo de reprecificação do risco brasileiro. A Bolsa ficou mais barata, mas isso não significa que o processo de ajuste tenha terminado.”

Segundo ele, parte relevante dos fundos estava “100% confiante” na vitória de Flávio e aumentou a alavancagem para tentar “salvar o ano”, depois de uma sequência longa de resultados fracos. “O que acontece quando TODOS vão na mesma direção? Como dizia o Nelson Rodrigues: toda unanimidade é burra”, afirma.

Incerteza política e risco de sanções entram no preço

No radar político, investidores passaram a monitorar de perto a decisão de Flávio Bolsonaro de buscar asilo nos Estados Unidos e as reações no exterior. Em uma carta divulgada hoje, ele chegou a se proclamar “o verdadeiro presidente eleito” e agradeceu o acolhimento de Donald Trump. Depois, alterou o texto para se apresentar apenas como “o líder do Brasil”.

O gesto alimenta a possibilidade de um contencioso diplomático e até de sanções, como a aplicação da Lei Magnitsky por parte do governo norte-americano, caso a eleição não seja reconhecida por Washington. “Se o Trump não reconhecer a eleição e vier com sanções ou Lei Magnitsky, quem mais apanha é banco. Foi assim na Magnitsky: socaram os bancos”, disse um gestor de investimentos.

Para o setor financeiro, o temor é de restrições a operações internacionais, aumento de custos de captação e mais uma camada de prêmio de risco embutida nos papéis. O movimento ajuda a explicar a queda mais forte do IFNC e a pressão adicional sobre grandes bancos e instituições com forte exposição a mercados externos.

Fundos multimercados sob pressão podem gerar ‘segunda onda’

A derrocada recente também colocou os fundos multimercados no centro da preocupação. Muitas dessas carteiras, que haviam se posicionado fortemente a favor de uma vitória de Flávio Bolsonaro, acumulam perdas “monumentais”, relatam gestores.

O sócio de uma gestora avalia que, mesmo sem novas notícias negativas, a bolsa pode seguir pressionada pela dinâmica de fluxo. “Eu acredito que a queda do Ibovespa esconde um movimento mais profundo de reprecificação do risco brasileiro”, reforça ele, ao destacar que parte dos fundos pode ser obrigada a vender ativos para atender pedidos de resgate dos cotistas.

Essa liquidação forçada, se se materializar, tende a criar uma “segunda onda” de queda, em que a necessidade de caixa obriga vendas adicionais de ações e títulos, independentemente dos fundamentos de cada empresa. Por ora, esse movimento ainda é descrito como potencial, mas o risco ganhou peso nas mesas de operação ao longo do dia.

Com a reeleição ainda fresca, inflação projetada em alta, chance de fim antecipado dos cortes de juros, ruídos políticos internos e sombra de possíveis sanções externas, a indicação predominante entre analistas e gestores é de um período prolongado de volatilidade. O foco agora se volta para os próximos sinais do Banco Central, para qualquer gesto concreto de ajuste fiscal por parte do novo governo e para a evolução do impasse político envolvendo Flávio Bolsonaro e os Estados Unidos.