PF indicia Vorcaro e ex-BRB por fraude bilionária de R$ 7 bi
Polícia Federal indicia 15 pessoas, entre elas o fundador do Banco Master e o ex-presidente do BRB, por suspeita de fraudes em carteiras de crédito e ocultação de R$ 7 bilhões.

Mercado Financeiro
Investigação aponta envolvimento de ex-líderes bancários em esquema de fraude bilionária envolvendo carteiras de crédito.
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A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (28.out.2026) 15 pessoas, incluindo o fundador do Banco Master, Daniel Bueno Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, por suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa, lavagem de dinheiro e outras fraudes ligadas à tentativa de venda do Master para o BRB.
PF vê esquema com carteiras de crédito e ocultação de R$ 7 bi
O indiciamento consta de relatório parcial do Inquérito 5.026, que tramita no Supremo Tribunal Federal, e descreve um suposto esquema de operações financeiras envolvendo carteiras de crédito de origem questionada, uso de documentos produzidos ou alterados depois das datas formais e ocultação da titularidade e da movimentação de recursos.
De acordo com a PF, cerca de R$ 7 bilhões vinculados a operações atribuídas à empresa Tirreno permaneceram contabilizados em contas internas do próprio Banco Master, sem transferência financeira compatível com a titularidade formal. Para os investigadores, a distância entre o que estava nos contratos e o que de fato ocorreu na circulação do dinheiro indica possível dissimulação de valores.
O relatório aponta ainda a produção tardia de cédulas de crédito bancário, procurações emitidas em lote e contratos formalizados meses depois das datas declaradas, todos ligados às carteiras negociadas entre o Master, a Tirreno e o BRB.
Como atuariam os núcleos da suposta fraude
Os policiais dividiram os investigados em núcleos funcionais. Vorcaro e Paulo Henrique Costa são apontados como parte do núcleo estratégico, responsável por definir diretrizes e articular as operações. Outros grupos são associados às áreas executiva e financeira, à formação das carteiras de crédito, à estruturação jurídica dos negócios e à organização de documentos apresentados a bancos e órgãos de fiscalização.
Entre os indiciados estão Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master; os executivos do Master Angelo Antônio Ribeiro da Silva e Luiz Antonio Bull; o responsável pela tesouraria, Alberto Félix de Oliveira Neto; e Allan da Silva Machado, ligado à estrutura operacional das carteiras de crédito.
No eixo ligado à Tirreno, foram indiciados Henrique Souza e Silva Peretto e André Felipe de Oliveira Seixas Maia. O advogado Daniel Lopes Monteiro é citado como participante da estruturação jurídica das operações, incluindo contratos, notificações e documentos societários.
Pelo lado do BRB, a lista inclui o ex-diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia Junior e os dirigentes Luana de Andrade Ribeiro, Cristiane Maria Lima Bukowitz, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior.
BRB manteve compras mesmo após alertas internos, diz relatório
Um dos pontos centrais da apuração é a sequência de operações de cessão de carteiras de crédito entre o Banco Master e a Tirreno, depois repassadas ao BRB. Segundo o relatório, o banco brasiliense continuou aprovando aquisições mesmo após alertas internos sobre falhas de documentação, inadimplência elevada, ausência de averbações e problemas de conciliação dos valores.
A PF registra que, mesmo diante das advertências, foram aprovadas novas compras de carteiras que, somadas, superam R$ 5 bilhões. Para os investigadores, a insistência nas operações, apesar dos riscos mapeados por áreas técnicas, é indício de atuação coordenada dentro da instituição.
Defesa de Vorcaro chama indiciamento de “açodado e afoito”
Em nota, os advogados de Daniel Vorcaro afirmam que o relatório policial é precipitado e foi apresentado antes da conclusão das diligências previstas no próprio inquérito. A defesa classificou o indiciamento como “açodado e afoito” e sustenta que ainda há perícias em andamento, materiais apreendidos sem análise e depoimentos pendentes.
Os representantes de Vorcaro dizem não haver, até o momento, comprovação técnica de fraude ou de prejuízo ao BRB e contestam a suspeita de lavagem de dinheiro, alegando que a avaliação detalhada dos fluxos financeiros não foi concluída. Segundo a nota, as operações entre Master e BRB teriam sido aprovadas por instâncias de governança das duas instituições.
As defesas dos demais indiciados ainda não se manifestaram publicamente sobre as acusações.
Entenda o contexto
O inquérito que resultou no indiciamento desta semana faz parte de uma investigação ampla sobre as operações do Banco Master e sua relação com o BRB, incluindo a tentativa de venda do Master para o banco brasiliense. As apurações reúnem elementos sobre a formação e a negociação de carteiras de crédito, a criação e o uso de estruturas societárias como a Tirreno e a atuação de executivos, dirigentes e assessores jurídicos.
O relatório encaminhado pela PF é parcial. Os investigadores afirmam que ainda há diligências a cumprir, como a individualização da conduta de integrantes de equipes operacionais dos bancos, a conclusão de análises bancárias, fiscais e patrimoniais e o exame de materiais apreendidos em fases anteriores da apuração.
Com o envio do documento, caberá agora ao Ministério Público avaliar se apresenta denúncia à Justiça contra os indiciados. Caso isso ocorra, eles podem passar à condição de réus em ações penais que tendem a ter grande impacto para o setor financeiro e para a governança interna de Banco Master, BRB e empresas associadas.


